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sábado, 7 de setembro de 2013

Elogio à incompletude da ciência

    Cada um de nós tem, fruto de uma incrivelmente complexa rede de células com capacidade de gerar e transmitir impulsos elétricos e químicos - as células nervosas -, uma infinidade de interrogações ao longo da vida. Para algumas destas questões encontramos resposta, por nós próprios ou com ajuda, mas outras parecem teimosamente decididas a não se deixar acompanhar por uma resposta satisfatória e definitiva!
     A Ciência é uma das atividades humanas que procura resposta a muitas dessas questões. Em milhares de anos de evolução humana e científica já encontramos respostas a questões tão fascinantes quanto importantes. Mas há ainda tantas para as quais o caminho parece ser tão denso que ficamos sem saber por onde seguir!... Mas não será esse o fascínio da Ciência, ser inacabada?

Questões para as quais ninguém sabe a resposta - Chris Anderson, TED

sábado, 22 de junho de 2013

Férias com Ciência: atividades para jovens, exposição e leituras!

   Neste período de férias, bastante alargado para alguns, há várias propostas para atividades relacionadas com Ciência. Não haverá dificuldade em escolher! Para além disso, a leitura de bons livros de divulgação científica é sempre enriquecedora e prazerosa!

    Exposição Terra em Transformação - Evolução da Vida na Terra

    Comissariada por Helena Couto, Professora Associada na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) e Alexandre Lourenço, esta exposição tem por objetivo mostrar algumas das etapas mais significativas da evolução da vida na Terra. Através de fósseis, mas também de minerais, rochas e meteoritos, assim como reconstituições da vida e dos seus ambientes, os visitantes serão então desafiados a reviver alguns dos acontecimentos geológicos (sucessão de ambientes, movimentação dos continentes, acontecimentos catastróficos como o impacto de meteoritos, vulcanismo ou a ocorrência de glaciações) que condicionaram a evolução da vida no nosso planeta.
    A exposição “Terra em Transformação” vai estar patente até 20 de dezembro de 2013 na Reitoria da UP (Praça dos Leões) e poderá ser visitada de terça a sexta-feira, das 10h00 às 17h00. A entrada é livre, podendo ser agendadas visitas guiadas (por marcação para: cdl@reit.up.pt) com o custo de um custo de 1 euro para estudantes e 1,5 euros para o público em geral.


    A Universidade Júnior da Universidade do Porto (UP) propõe mais um conjunto alargado de atividades para o Verão em várias Faculdades.
     As ofertas são variadas, desde Oficinas de Verão para 7º e 8º ano, Oficinas Temáticas para 7º e 8º ano, Verão em Projeto para 9º ao 11º ano e a Escola de Ciências da Vida e da Saúde para 11º ano, entre outras.

    A CESPU (Cooperativa de Ensino Superior Politécnico e Universitário) propõe ativades na Universidade Jovem 2013  cujo programa de atividades pode ser consultado aqui

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Fim do Mundo: 21 de dezembro de 2012. Ciência e Pseudo-Ciência, uma vez mais, em debate

    Já aqui publicamos algo sobre o alegado fim do mundo em 2012, segundo as profecias Maia ( ver Verdade ou Mito: Fim do Mundo em dezembro de 2012?)

     Não quisemos deixar de assinalar, na data precisa apontada por muitos para o apocalipse, mais um exemplo de pseudo-ciência que, não raras vezes, tem um impacto muito significativo nas pessoas. A Ciência tenta, por vários meios, restabelecer alguma razão e uma visão informada e sensata sobre o que nos rodeia. Não ignorando os vários 'obstáculos' à Vida tal como a conhecemos, antes lidando com os factos e sua interpretação com seneridade e realismo.

     O Mundo vai acabar, sim, mas não a 21 de dezembro de 2012! Haverá concerto apocalípticos e há quem ofereça 1 milhão de euros no caso do mundo realmente acabar, mas provavelmente amanhã ainda cá estaremos, para continuar a saga de busca do conhecimento e de uma vida com dificuldades mas também ótimos momentos!

     Reproduzimos artigo do jornal Público: 


    O mundo vai acabar, mas não será a 21 de Dezembro de 2012


    
    Impactos de meteoritos, actividade solar alta, a colisão de um planeta-fantasma ou uma mega-erupção. A pseudociência está a dar gás a uma falsa profecia maia e o medo das pessoas é alimentado pela falta de cultura científica, dizem os astrónomos.

     Chegará o dia em que o Sol vai inchar e transformar-se numa gigante vermelha. Quando isso acontecer, daqui a mais de cinco mil milhões de anos, Mercúrio será engolido, depois Vénus e finalmente a Terra. Mas a vida já terá desaparecido do nosso planeta. A evolução natural de estrelas como o Sol é brilhar cada vez mais. E dentro de mil milhões de anos a temperatura à superfície da Terra será demasiado alta para haver água no estado líquido. Esta não é assim uma preocupação imediata, mas muitas pessoas pensam que o fim do mundo está iminente. Uma falsa profecia maia fantasia que esse dia será já esta sexta-feira – 21 de Dezembro de 2012.

    "Esta ideia do fim do mundo começou a transparecer no ano passado, através de informações pedidas ao Observatório de Astronomia de Lisboa", lembra ao PÚBLICO Rui Agostinho, director do observatório, astrónomo e professor na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. "Havia perguntas sobre se o mundo ia mesmo acabar. Havia outras pessoas que nos enviavam textos e mostravam estar muito preocupadas com o fim do mundo."
    Segundo Rui Agostinho, estas preocupações provinham de uma minoria de pessoas. Mas o astrónomo acrescenta que nas escolas houve também professores que contaram que alguns alunos partilharam as mesmas inquietações. Este medo tão inusitado e revelador de tanto desconhecimento fez com que o observatório organizasse palestras que agregou no cicloSessão Apocalíptica.
    Amanhã às 21h30 será dada a palestra final: Maias 2012: O fim dos tempos?A palestra já tem as reservas esgotadas, mas quem quiser pode vê-la em directo na Internet, através do site do observatório. O orador será o próprio Rui Agostinho, que irá desmontar esta fantasia que cresceu e se transformou numa mistura de má narrativa histórica, pseudociência e muita superstição. Acabou, porém, por fomentar muitos medos.
    O anúncio do fim do mundo é quase tão velho como a humanidade. Houve centenas de previsões ao longo dos séculos, muitas em tempos terríveis, como durante a epidemia da peste negra na Idade Média, na Europa. O século XXI não mudou de registo. Um deles foi o suposto buraco negro que o LHC (o grande acelerador de partículas do Laboratório Europeu de Partículas, ou CERN) iria desencadear, quando começasse a trabalhar em 2008.
    A humanidade já esteve para desaparecer muitas vezes, segundo as profecias. A próxima é sempre a derradeira, pelo menos até esse momento ficar para trás.
"O mundo é muitas vezes visto como um sítio terrível, cheio de opressões, injustiças e com a ameaça da morte", disse Lorenzo DiTommaso, um investigador e especialista em catastrofismo. "A visão apocalíptica dá uma resposta poderosa: o mundo é tão mau que não pode ser restaurado. Por isso é varrido."
    DiTommaso, que pertence ao Departamento de Teologia da Universidade de Concordia, no Quebeque, Canadá, defende que religiões como o judaísmo, o cristianismo ou o islão profetizaram o apocalipse. Essa tradição escapista, de vingança contra o mal e de um bem redentor após o fim de tudo, continua bem viva.
    "Mais e mais pessoas olham para o mundo através de uma visão apocalíptica. Uma das razões é que as coisas parecem irreparavelmente estragadas: o ambiente, a economia, o sistema político. No seu âmago, é uma resposta simples para problemas complexos. E é uma resposta adolescente, já que coloca no exterior de nós as responsabilidades da resolução dos problemas."
    Na profecia de amanhã, a única culpa dos maias é terem inventado um calendário que funciona como o contador de quilómetros dos carros, que, quando chega ao fim, volta ao início. Os maias foram uma das mais importantes civilizações da América Central. Esta civilização tinha várias formas de contar o tempo, para determinar a sementeira e colheita do milho, para assinalar o ano solar e outra para longos períodos de tempo. Este último calendário assinalava os dias utilizando um contador com cinco casas, num sistema não decimal e que ia até aos 8000 anos. Depois, o contador seria obrigado a voltar ao início.
    Segundo a profecia, o fim da contagem no calendário – e do mundo – seria no dia 21. Os arqueólogos pensam que esta contagem terá começado a 5 de Setembro de 3114 a.C. – basta fazer as contas para perceber que entre as datas só passaram 5126 anos. Outros argumentam que os maias falavam numa renovação do mundo a cada 5200 anos, em que um incêndio de enormes proporções e depois chuvas intensas iriam dizimar o mundo inteiro. E a humanidade recomeçaria a partir do zero.
    A previsão apocalíptica começou a ganhar forma na década de 1960. Actualmente, tem recebido força com a ajuda de justificações pseudocientíficas: esta sexta-feira o fim do mundo será causado por tempestades solares fortíssimas, devido ao pico da actividade do Sol, apesar de os astrónomos dizerem que nada se passa de anormal; outros dizem que um asteróide ou um planeta-fantasma vai colidir com a Terra, mas que ninguém ainda observou no céu.
    Outras hipóteses: inundações planetárias, megavulcanismo, sismos, alinhamento galáctico, uma alteração da energia do Universo.
    "A apropriação dos termos da ciência é fundamental para dar credibilidade à ideia", desmistifica Rui Agostinho. "Se alguém dissesse que a grande banana cósmica vai afectar o planeta, ninguém acreditaria." Um dos grandes problemas é a falta de literacia científica para desconstruir estas ideias e questionar racionalmente estes argumentos pseudocientíficos. "A ciência é uma linguagem críptica, é preciso aprendê-la e não é fácil", sublinha o astrónomo, que na palestra irá rebater, uma por uma, todas as causas "científicas" do fim do mundo.
    José Augusto Matos, astrónomo da Universidade de Aveiro, já deu uma conferência sobre este fim do mundo. "Referi que estas profecias não podem ser levadas a sério. O futuro não está escrito em lado nenhum. Não há nenhum pensador ou astrólogo que possa dizer que vai acontecer uma dada coisa." Para José Augusto Matos, "estas ideias acabam por ter algum sucesso devido à ignorância das pessoas, há muita falta de cultura científica".
    Mas uma coisa será certa: o fim da Terra irá irremediavelmente acontecer. Se até lá nada de cataclísmico ocorrer, o destino do nosso planeta estará intimamente ligado com a morte do Sol, daqui a muitos milhões de anos. Talvez nessa altura isso não seja um problema para a humanidade, que poderá já ter colonizado outro planeta e nem se lembrar que um dia existiu a Terra.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Aniversário da Teoria da Deriva Continental, proposta por Wegener, famoso... meteorologista!

   Um artigo sobre Wegener, um grande nome da Geologia e da Ciência, vindo, como muitos outros exemplos, de 'arredores', um personagem decidido, discreto, sem crédito até que, com novos dados, as suas ideias foram classificadas, justamente, como brilhantes!


   A ocasião: a celebração, a 6 de Janeiro, do centenário da divulgação da ideia de Deriva Continental e existência, no passado, de um super- continente rodeado por um super-oceano. Estas ideias deram início a uma revolução inimaginável na Geologia, a Ciência da Terra.
                                       
   Parabéns, Alfred Wegener! 




    Faz hoje, 6 de janeiro, exactamente cem anos que o geofísico alemão  Alfred Lothar Wegener (1880-1930) apresentou, numa reunião da Associação Geológica Alemã, ocorrida no Museu Senckenberg, em Frankfurt, a sua teoria da deriva continental e a sua ideia da existência em eras geológicas muito recuadas de um supercontinente, a que chamou “pangea” (a partir do grego pan + gea, que significa “toda a terra”) rodeado por um único oceano, designado por "pantalassa" (do grego, pan + talasso, que significa "todos os mares").

    O seu livro “A Origem dos Continentes e Oceanos” foi publicado em 1915. Mas foi com a terceira edição em 1922, traduzida em várias línguas, que as suas ideias sobre a evolução da crusta continental e oceânica ficaram melhor conhecidas. A sua obra é a rocha fundadora da tectónica de placas, que só viria a ser confirmada e melhor compreendida depois de detectada a expansão do fundo dos oceanos na década de 1960.

    O impacto das ideias de Wegener, que se vieram a confirmar experimentalmente cinco décadas após a sua formulação, com a mudança de paradigma que elas produziram, é comparável na geologia à revolução que a teoria heliocêntrica de Copérnico causou na astronomia no século XVI.


   (excertos de artigo de António Piedade, no De Rerum Natura)


   Outras publicações, no LusoCiências, sobre a Deriva Continental proposta por Wegener nos inícios do século passado:


Ainda Ciência e Música: Deriva Continental, Tectónica de Palcas e os Amoeba People



sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

A Natureza inspira os emblemas de clubes desportivos!

     Em Portugal, pelo menos relativamente aos clubes mais populares, não faltam animais, reais ou mitológicos, simbolizando força, persistência e capacidade de luta.
   
    Mas existem, em Portugal e pelo mundo, inúmeros exemplos de símbolos faunísticos e florísticos (ver exemplo abaixo) associados ao Desporto: em notícia do Público, reflete-se sobre o simbolismo associado a animais e que é utilizado por clubes desportivos nos emblemas dos mesmos.



O emblema do Celtic de Glasgow utiliza o trevo, uma espécie de planta associada à fortuna ou sorte

    O Pato Donald ou um dinossauro com o pé numa bola de futebol e o polegar para cima são emblemas pouco capazes de causarem temor, como o faziam alguns escudos nos campos de batalha da Idade Média dos quais os emblemas das equipas de futebol são herdeiros directos. Quem escolheu estes elementos para símbolo do seu clube desvalorizou a importância que o emblema de uma equipa pode ter na motivação dos seus atletas e como factor de identificação dos seus adeptos.

     “A heráldica do futebol tem características medievais, quer na escolha simples dos emblemas, quer no contraste das cores”, explica ao PÚBLICO Miguel Metelo de Seixas, director do Centro de Genealogia e Heráldica da Universidade Lusíada.


    Nada disto, contudo, terá estado na cabeça de quem, em Paraíba, no Brasil, escolheu, há 59 anos, o Pato Donald, da Disney, como símbolo do Esporte Clube de Patos. Mas o “patinho terror do Sertão”, como é conhecido o clube, não é o único mau momento que aconteceu do outro lado do Atlântico. Os fundadores do Sousa Esporte Clube também tiveram, pelo menos, um dia difícil na vida, quando optaram por ter como emblema um dinossauro risonho.  


    Como na Idade Média, as aves são uma presença recorrente na heráldica futebolística, geralmente aves de rapina, símbolos de poder e coragem, exactamente aquilo que uma equipa quer demonstrar em campo. Menos comuns são as aves de capoeira, como o pato. Um galo no emblema é o que tem, por exemplo, a selecção francesa de futebol, uma versão estilizada do galo gaulês, um símbolo não oficial de França. O Bari, da Série B italiana, é conhecido como a equipa dos “galinhos” e o seu símbolo é uma cabeça de galo vermelha e preta - que faz lembrar o galo dos “cornflakes” da Kellog’s. Antes, o Gil Vicente não tinha o galo de Barcelos no emblema, mas passou a ter há pouco, embora sem ser a versão popularizada em cerâmica. 


    Há animais para todos os gostos nos clubes de futebol. Extintos, em vias de extinção, mitológicos ou daqueles que se comem numa marisqueira. O Morecambe FC da III Divisão inglesa, por exemplo, tem um camarão no emblema. (...)


    Continuando nos animais, os felinos são presença recorrente, mas depende de como forem utilizados. O Associação Esportiva Tiradentes, de Fortaleza, tem um tigre com sérios problemas de perspectiva, pouco fazendo para justificar a inscrição “Tigre da Polícia Militar”. O leão do AA Moreninhas, de Mato Grosso, também é pouco ameaçador e tem um sorriso malandro. O Sunderland, da Premier League inglesa, costumava ter um gato em cima de uma bola, mas substituiu-o por dois felinos mais vitaminados, mantendo, no entanto, a alcunha de “os gatos pretos”. 


    Só mais alguns exemplos da variedade da fauna nos emblemas de futebol: gorila (Atlanta Silverbacks, EUA), morcego (Valência, Espanha), ovelha (Preston North End, Inglaterra), mocho (Oldham e Sheffield Wendnesday, Inglaterra), golfinho (Pescara, Itália), dois esquilos (Kilmarnock, Escócia), elefante (Dumbarton, Escócia), crocodilo (Brasiliense FC, Brasil), bode (Colónia, Alemanha), pinguim (Libourne, França). (...)





   

sábado, 26 de novembro de 2011

Ciência Poética: Átimo de pó

Átimo de pó
(Carlos Rennó-1997)

Entre a célula e o céu
O DNA e Deus
O quark e a Via Láctea
A bactéria e a galáxia

Entre agora e o eonO ião e o Órion
A lua e o magnetão
Entre a estrela e o electrão
Entre o glóbulo e o globo blue
Eu, um cosmos em mim só
Um átimo de pó
Assim: do yang ao yin

Eu e o nada, nada não
O vasto, vasto vão
Do espaço até ao spin
Do sem-fim além de mim
Ao sem-fim aquém de mim
Den'de mim


terça-feira, 15 de novembro de 2011

Sessões de Cinema nas tardes de quarta-feira (vocacionado para o Ensino-Aprendizagem)

   Durante as tardes de quarta-feira, em que não há aulas no CLF, propõem-se diversas atividades para todos os que queiram usufruir e participar. 
   
    A partir de amanhã, dia 16 de novembro, iniciam-se as sessões de Tardes de Cinema, na Biblioteca do Colégio. A partir das 14h30, serão projetados filmes, maioritariamente de conteúdo relacionado com a Escola ou com temáticas desenvolvidas nas várias disciplinas, e que pretendem constituir um momento de lazer e aprendizagem informal para os nossos alunos!


  1ª Sessão, 16 novembro, 14h30: Dedicada ao Desenvolvimento Sustentável e à Educação


   Lixo Extraordinário, de Vic Muniz (Brasil):


   Sinopse: Filmado ao longo de dois anos (agosto de 2007 a maio de 2009), Lixo Extraordinário acompanha o trabalho do artista plástico Vik Muniz em um dos maiores aterros sanitários do mundo: o Jardim Gramacho, na periferia do Rio de Janeiro. Lá, ele fotografa um grupo de catadores de materiais recicláveis, com o objetivo inicial de retratá-los. No entanto, o trabalho com esses personagens revela a dignidade e o desespero que enfrentam quando sugeridos a reimaginar suas vidas fora daquele ambiente. A equipe tem acesso a todo o processo e, no final, revela o poder transformador da arte e da alquimia do espírito humano.


   Trailer: 


    


   Páginas de Liberdade, de Richard de LaGravenese (Alemanha):


   Sinopse: Através de um olhar crítico sobre um sistema educativo e baseado num caso verídico de uma professora, o filme conta-nos a história de um grupo de jovens de um bairro problemático e de uma professora de inglês que lhes dá o que eles mais precisam: uma voz própria. Numa escola dominada pela violência e tensão racial, esta professora vai travar uma batalha para fazer com que a sala de aula passe a ter importância na vida destes estudantes. Contando as suas próprias histórias e ouvindo as histórias dos outros, estes jovens irão mudar os seus mundos.


   Trailer: 


    Em breve, serão sugeridos (outros) filmes de cariz científico, para animar as tardes cinematográficas de quarta-feira, na Biblioteca do CLF!


   Boas sessões!

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Surf e Geologia poderão estar mais próximos do que parece à primeira vista! A Explicação!

   A onda gigante que McNamara surfou na Praia do Norte tem como 'origem' um canhão submarino: o canhão da Nazaré. 


   Os canhões submarinos são vales cavados nas Margens continentais que servem de condutas dos sedimentos terrígenos dos continentes para locais profundos dos oceanos. Apresentam uma forma típica em V, com gargantas estreitas e vertentes muito inclinadas, são bastante sinuosos e possuem degraus, os típicos terraços. Foram formados no passado, mantendo, muitos deles, uma actividade dinâmica com capacidade erosiva até ao presente.

Os canhões submarinos variam consideravelmente em tamanho. Foi estimado um comprimento médio de 50 km e, muito embora a maioria tenha poucas milhas de comprimento, existem alguns com cerca de 200 a 300 km de extensão, tendo o mais comprido até hoje descoberto cerca de 442 km. Estes vales atingem grandes profundidades no fundo marinho, muitas vezes acima dos 3000 m de profundidade (Francis Shepard, 1978).

   CREMINER, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Campo Grande, Lisboa


   O Canhão da Nazaré é uma estrutura notável do ponto de vista geológico: estende-se por cerca de 5.000 metros na planície abissal, desde a margem continental (a fronteira entre o domínio continental e o domínio oceânico.

Imagem batimétrica do Canhão da Nazaré. 
As cores indicam variações de profundidade: o continente está assinalado a vermelho e laranja, o verde indica a plataforma continental (zona de fronteira continente-oceano) e azul-púrpura indica mar profundo/planície abissal 


   E como se formam os canhões submarinos? A sua origem é controversa, mas duas explicações têm sido adiantadas:

   (1) os canhões submarinos foram cavados por rios que avançaram ao longo da plataforma continental, numa época em que o nível do mar se encontrava mais baixo do que actualmente - a presença de muitos canhões próximos da foz de grandes rios corrobora esta teoria;

     (2) a presença de canhões longe da linha de costa pressupõe que os canhões submarinos foram cavados por correntes densas com grande capacidade erosiva - correntes turbidíticas, que transportam materiais finos, suspensos, a grandes velocidades. Estas correntes podem atingir várias dezenas de quilómetros por hora no talude continental, algumas atingem uma velocidade superior a 90 km/h transportando mais de 300 kg/m3, que decresce à medida que avançam rumo às planícies abissais (Brown et al. 1989). 

    Ver imagens e explicação mais completa aqui.

   Assim, torna-se mais evidente a origem geológica da 'boa onda' que poderá ser um recorde mundial, na Nazaré! 

    Vídeos explicativos das boas características da área para o Surf (a Geologia onde menos se espera!):

   

sábado, 5 de novembro de 2011

Islândia, Cicatrizes Geológicas e Música

   A Geologia na Música: será coincidência ser uma artista da Islândia a utilizar as placas tectónicas e a deriva continental nas sua letras?!
   
   Antes de mais, um pouco sobre a Geologia da Islândia (para saber tudo sobre Placas Tectónicas e o porquê da sua importância para o Planeta e para a Vida terrestre, clique):

Topografia do fundo oceânico: a Islândia é cortada pela grande 'cicatriz' do Atlântico, a Crista Médio-Atlântica



Com o movimento divergente das duas placas em que a ilha assenta, é previsível a rutura e a separação



      E agora, a Música:
      Mutual Core, Björk



I shuffle around the tectonic plates in my chest.

You know I gave it all,
Try to match our continents
To change seasonal shift,
To form a mutual core.

As fast as your fingernail grows,
The Atlantic ridge drifts
To counteract distance.

You know I gave it all,
Can you hear the effort of the magnetic strife?
Shuffling of columns
To form a mutual core.

This eruption undoes stagnation.
You didn't know I had it in me,
Withheld your love, an unspent capsule.
I didn't know you had it in you,
You hid the key to our continuity.
I didn't know you had it in you.
This eruption undoes stagnation.
You didn't know, you didn't know.

What you resist persists, nuance makes heat
To counteract distance
I know you gave it all,
Offered me harmony if things were done your way.
My Eurasian plate subsumed,
Forming a mutual core

This eruption undoes stagnation.
You didn't know I had it in me,
Withheld your love, an unspent capsule.
I didn't know you had it in you.
This eruption undoes stagnation
You didn't know I had it in me
This eruption undoes stagnation
You didn't know, you didn't know.
 


quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Música e Ciência: a Banda do Colégio Luso-Francês e o Theramin

   O Colégio Luso-Francês terá, em breve, uma banda de música compostas por alunos (e professores)! As audições serão nos próximos dias 7 e 8 de Novembro, no auditório do CLF. Apareçam!




   Mas, qual será a relação da Música com a Ciência? É possível que vários exemplos vos surjam na ideia, mas o que escolhemos será talvez mais alternativo, e, quem sabe?, curioso:


   O Theramin, um instrumento baseado em sinais elétricos, ampificado, inventado por Leon Theramin em 1928.


   Utilizado em diversas bandas sonoras, o som do Theramin é inconfundível! 


   Uma obra cinematográfica recente cuja banda sonora é marcada pelo theramin é o filme Ed Wood, de Tim Burton (a não perder, por sinal!)

 


   Um vídeo do seu inventor, a tocar uma pequena peça:


    
   Dois vídeos, com exemplos e e explicações:

   
 

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Placas Litosféricas e Deriva Continental: uma explicação alternativa!

    Alfred Wegener, Eduard Suess, Harry Hess, Robert S. Dietz,  Jason Morgan e J. Tuzo Wilson, entre outros, dedicaram parte das suas carreiras académicas a desenvolver a Teoria da Deriva Continental e a Teoria da Tectónica de Placas. 


    Mas não será a explicação para o movimento dos continentes, as erupções vulcânicas e abalos sísmicos, o aparecimento de ilhas como o Hawai, a formação de montanhas, algo... diferente?!




  

domingo, 9 de outubro de 2011

Padre Luís Archer, Cientista em Genética Molecular (1929-2011)

   O Padre e Biólogo Luís Archer faleceu aos 85 anos. Natural do Porto, com formação teológica e científica, faz-nos refletir sobre a (in)compatibilidade das duas áreas de actividade humana. 
   Segue-se um excerto da notícia no Jornal Público. Uma entrevista completa, em 2006, com Archer, aqui.


  (...)
  Luís Archer era natural do Porto, mas viveu grande parte da vida em Lisboa. O biólogo nasceu a 5 de Maio de 1928, e aos 21 anos entrou para a Companhia de Jesus.

  Entre 1943 e 1960 completou as licenciaturas em ciência biológicas, filosofia e depois teologia. Apesar de ter terminado o curso em biologia com uma média de 18, Luís Archer queria dedicar-se às humanidades. Mas foi o seu superior, o padre Lúcio Craveiro da Silva, que pediu para prosseguir na biologia, já que tinha um currículo nessa disciplina e havia poucos jesuítas especialistas em ciências.

  Archer escolheu então a genética molecular, uma área que na década de 1960 era o futuro. “Fui para os Estados Unidos, tive muita dificuldade no princípio. Tinham passado 15 anos após a minha licenciatura. O que eu não tinha esquecido já não era igual. Mas pensei: tem que ser a sério e tem que ser uma matéria que sirva o país”, explicou numa entrevista ao PÚBLICO dada em 2006.

  Terminou o doutoramento nos Estados Unidos e voltou para Portugal, onde teve que repetir o doutoramento, na Faculdade de Ciências do Porto, já que na altura não havia equivalências.

  Em 1971 inicia os trabalhos científicos no Laboratório de Genética Molecular no Instituto Gulbenkian de Ciências, onde permanece durante 20 anos. É nesta altura que introduz o estudo da genética molecular na Universidade portuguesa. No laboratório estuda o processo de transformação nas bactérias, onde existe transferência de material genético de uma bactéria para a outra.

  O interesse pela evolução do conhecimento científico e a capacidade crescente da tecnologia transformar a natureza faz com que se envolva em temas como a bioética. Entre 1996 e 2001 assume a presidência do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida. Ao longo das décadas lança vários livros sobre ciência e bioética, o último em 2006, intitulado “Da Genética à Bioética”.

  Sobre a evolução científica, iria dizer em 2006, quando recebeu o prémio Manuel Antunes, aos 80 anos, que a tecnociência é “indispensável para o progresso das civilizações, mas não se pode tornar um absoluto”. Na entrevista ao PÚBLICO apesar de defender que a ciência estava mais humilde do que no passado, Archer revelava uma preocupação em relação à corrente do trans-humanismo – a ideia que o homem é uma máquina e que é possível aperfeiçoá-la: “O homem acabará com os sentimentos e os afectos, e será reduzido a reacções químicas e a potenciais eléctrodos que podem ser inseridos no indivíduo. (…) É muito funda no ser humano [a ideia de] mecanizar, reduzir todo o fenómeno humano a equações, a química, fórmulas, traços.”
(...)

domingo, 2 de outubro de 2011

Arte e Ciência: a prova da comunhão entre saberes

   Arte e Ciência podem conviver. E há quem promova esse convívio, desmontando a ideia de que as áreas do saber são estanques. Há método na Arte e criatividade na Ciência!
 

Há um artista no laboratório onde se estuda o cancro

Fotógrafo Pedro Barbosa aceitou o desafio de transformar o Ipatimup no seu próprio laboratório criativo


Ver notícia completa e vídeo em P3




   

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Por falar na 'queda' de verdades científicas...

   Nas concepções que temos, enquanto cidadãos, da Ciência, ainda resistem muitas ideias erróneas acerca do conhecimento científico e a forma como este se constrói. A concepção talvez mais comum acerca do conhecimento científico é a de que a Ciência enuncia Verdades, que se tornam dogmas, concepção bem representada pelo 'Cientificamente comprovado' que legitima o consumo de tantos produtos actualmente. Pelo contrário: a Ciência apenas enuncia teorias e leis que são as melhores explicações para determinados fenómenos num determinado momento, dependendo também de circunstâncias sociais, tecnológicas, entre outras. Essas explicações vão sendo substituídas por novas ideias, resultantes de novos dados e interpretações.


   Não sendo garantidamente a queda de mais um Dogma, também as 'fundações' da Física estão a ser abaladas com novos dados: partículas cuja velocidade de propagação é superior à da luz!


   Vejam artigo aqui.


   E para os que dispensarem o evento desportivo mais mediatizado durante os últimos dias, poderão ainda aproveitar, até às 24h, a Noite Europeia dos Investigadores, na Reitoria da UP (Praça dos Leões).



sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Onde Nasceu a Ciência e o Juízo?

MOTE 

— Onde nasceu a ciência?... 
— Onde nasceu o juízo?... 
Calculo que ninguém tem 
Tudo quanto lhe é preciso! 

GLOSAS 

Onde nasceu o autor 
Com forças p'ra trabalhar 
E fazer a terra dar 
As plantas de toda a cor? 
Onde nasceu tal valor?... 
Seria uma força imensa 
E há muita gente que pensa 
Que o poder nos vem de Cristo; 
Mas antes de tudo isto, 
Onde nasceu a ciência?... 

De onde nasceu o saber?... 
Do homem, naturalmente. 
Mas quem gerou tal vivente 
Sem no mundo nada haver? 
Gostava de conhecer 
Quem é que formou o piso 
Que a todos nós é preciso 
Até o mundo ter fim... 
Não há quem me diga a mim 
Onde nasceu o juízo?... 

Sei que há homens educados 
Que tiveram muito estudo. 
Mas esses não sabem tudo, 
Também vivem enganados; 
Depois dos dias contados 
Morrem quando a morte vem. 
Há muito quem se entretém 
A ler um bom dicionário... 
Mas tudo o que é necessário 
Calculo que ninguém tem. 

Ao primeiro homem sabido, 
Quem foi que lhe deu lições 
P'ra ter habilitações 
E ser assim instruído?... 
Quem não estiver convencido 
Concorde com este aviso: 
— Eu nunca desvalorizo 
Aquel' que saber não tem, 
Porque não nasceu ninguém 
Com tudo quanto é preciso! 


António Aleixo, in "Este Livro que Vos Deixo..."