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sábado, 15 de fevereiro de 2014

Água: da torneira ou da garrafa, uma reflexão urgente!

   É urgente refletirmos sobre este assunto: a água será provavelmente motivo de guerras e conflitos no futuro.



    Não será 100% como este vídeo nos diz, mas talvez alguns pontos sejam tão exatos que isso se torna suficiente para mudarmos alguns hábitos, alguns comportamentos que adotamos por preguiça, irrefletida e automaticamente. 



Lágrima de preta (António Gedeão)


Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

Nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Projeto do Sequestro do Carbono no CLF começa a dar 'frutos'



Aspeto de 3 fases do desenvolvimento de um Pinheiro (Pinus pinaster) vendido no Colégio no âmbito do Projeto Sequestro do Carbono, em parceria com o Parque Biológico de Gaia.

   Começam a germinar as sementes envasadas e vendidas por alunos do 8º ano do CLF por alturas do Natal!

     Obrigado a todos pelo entusiasmo, e em particular à Professora Isabel Maia pela partilha das fotos do seu Pinheirinho do Sequestro!



sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Faturas e a Sustentabilidade: Quercus reage ao sorteio de 'automóveis de gama alta', proposto pelo Governo

   Porque segue uma lógica de desenvolvimento sustentável, é urgente conhecer esta proposta da Quercus, contrariando mais uma iniciativa ambientalmente danosa do Governo atual. Um concurso relativo a um direito e um dever dos consumidores e fornecedores é, por si, de uma pertinência questionável...

   Quercus considera sorteio do fisco contraditório e mau exemplo para a sustentabilidade

   Associação pede ao Governo para repensar a atribuição de automóveis de “gama elevada” e sugere como alternativa carros eléctricos ou de gama mais baixa.
   A associação de defesa do ambiente Quercus condenou nesta sexta-feira a criação de um sorteio de automóveis de “gama levada” dirigido aos contribuintes que peçam factura com número de identificação fiscal (NIF), considerando a iniciativa do Governo um mau exemplo para a sustentabilidade ambiental e um projecto contraditório, quando o executivo acaba de iniciar uma reforma para promover a fiscalidade verde.
   Contestando a atribuição semanal de carros de “gama elevada”, e uma vez que ainda estão a ser “ponderadas algumas decisões” sobre o prémio, a associação sugere que ainda haja oportunidade de o Governo determinar que o prémio seja antes um veículo eléctrico ou um pequeno carro.
   Quando, na quinta-feira, o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, apresentou algumas características do sorteio, apenas disse que, “em princípio”, serão atribuídos automóveis novos de “gama elevada”. A marca ou marcas dos veículos sorteados ainda não estão escolhidas, porque o processo terá de passar por uma contratação pública, explicou.
   Sendo certo que o concurso vai para a frente com sorteios semanais, a opção por veículos eléctricos, por exemplo, seria para a Quercus uma escolha “menos insustentável”.
   A associação sustenta, em comunicado, que o prémio escolhido, “independentemente do actual contexto de dificuldades económicas que atinge a população portuguesa, dá precisamente um sinal oposto ao que seria desejável num quadro de sensibilização para um consumo mais amigo do ambiente”. Quanto à sugestão de serem atribuídos veículos eléctricos, a associação defende que, embora seja uma forma de mobilidade individual, tem impactos ambientais “muito menores e poderá ser um incentivo ao estímulo da mobilidade eléctrica, projecto que está em completa estagnação e já com forte investimento público”.
   Para contestar a escolha de automóveis de gama elevada apresenta, entre outras razões, o facto de o veículo simbolizar “um desnecessário consumo de recursos”, de a pegada ecológica do fabrico dos veículos ser superior ao dos veículos mais pequenos, e de o seu impacto nas emissões de dióxido de carbono ser mais elevado, quando este é “um factor muito ponderado do ponto de vista ambiental na fiscalidade automóvel” — recorde-se que o ambiente foi uma das razões invocadas pelo Governo para justificar a criação, este ano, de uma taxa adicional em sede de Imposto Único de Circulação (IUC) sobre os ligeiros de passageiros movidos a gasóleo.
   Lembrando ainda que a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, e o ministro do Ambiente, Jorge Moreira da Silva, deram posse há dias à comissão que vai avaliar a reforma da fiscalidade verde, a Quercus considera ainda “do mais contraditório possível” o Governo “acenar agora com um prémio” que é “uma oportunidade perdida de apelar a um desenvolvimento mais sustentável”.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Árvore de Natal: como celebrar a época sem prejudicar o ambiente

 
   Porque tradição pode rimar com criatividade e mudanças. Porque não estamos sozinhos na Terra, hoje e no futuro. A Quercus aconselha:

    'No Natal, opte por uma árvore em vaso, reutilizável ou use a imaginação para construir a sua própria árvore. Proteja a nossa floresta.'



quarta-feira, 27 de novembro de 2013

O Antropoceno: uma nova era, a do Homem (vídeo e espetáculo de dança marcam o início)






    A dupla de coreógrafos Cláudia Martins e Rafael Carriço regressa com uma nova criação. Ou melhor, uma nova era.
   A Humanidade envereda por um paradigma - o "Antropoceno" - resultante do impacto dos excessos sobre o planeta e caracterizado pelo contraste entre a ligação tecnológica constante e a desconexão solitária das pessoas e sociedades. A revolução pode passar por aqui.
   A VORTICE.Dance Company, jovem companhia do panorama nacional, tem visto o seu trabalho ser reconhecido pelo público e pela crítica portuguesa, mas também de países tão diversos como o Japão, Mónaco, Finlândia, Hungria, Roménia, França, Suiça, Espanha, ou Letónia. Internacionalmente, recebeu várias distinções, com destaque para o Philip Morris Grand Prix of Choreography (Helsínquia, 2001).
   O espetáculo vai ser apresentado no próximo dia 6 de dezembro, na Casa das Artes em Famalicão


quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Água: recurso vital que 'implora' a nossa atenção!

   Sabia que 66% da água utilizada provém de reservas superficiais e que os sistemas públicos de abastecimento servem 95% da população? Ou que o volume de negócio do sector das águas minerais naturais e de nascente aproximou-se dos 190 milhões de euros em 2012? Já os dados relativos ao desperdício são menos positivos, com cerca de 38% no sector agrícola, 25% no sector urbano e 23% no sector industrial.

   A gestão eficiente da água exige o envolvimento de toda a sociedade, das entidades públicas ao sector privado, das organizações não-governamentais aos consumidores domésticos.


   Muito se tem feito para alertar para a degradação da qualidade da água e do caráter absolutamente vital deste recurso para a vida, humana e de todos os seres vivos. Esta degradação e possível falha de água em quantidade e qualidade, num futuro próximo, assim como a reversão deste caminho, são da responsabilidade exclusiva do ser vivo que mais poder tem para intervir nos ecossistemas: o Homem.

   Café de Ciência O Futuro da Água: desafios da sustentabilidadeque esta quarta-feira, 13 de Novembro, às 18.00, na Assembleia da República. Cientistas, empresários e decisores políticos identificam soluções que assegurem a sustentabilidade dos recursos hídricos do nosso país. 
   O público pode acompanhar este debate em directo através da página web da Ciência Viva




sábado, 9 de novembro de 2013

A importância das florestas na fixação do carbono atmosférico

   Florestas e sumidouros de carbono


   Cerca de metade do carbono do dióxido de carbono emitido para a atmosfera pela queima de combustíveis fósseis é retido na biosfera pela combinação de sumidouros (onde ocorre fixação do dióxido de carbono) oceânicos e terrestres. Destes últimos ressaltam as florestas pela sua extensão e capacidade de sequestro de carbono. As florestas mundiais cobrem cerca de 4,1 x 109 hectares e contêm 80% do carbono terrestre acima do solo (moléculas orgânicas que entram na constituição das células vegetais, em particular a celulose) e cerca de 40% do carbono no solo (raízes e matéria orgânica do solo). Na Europa, durante os anos 90, as florestas sequestraram cerca de 20% do carbono emitido anualmente pela queima de combustíveis fósseis na UE, o equivalente ao carbono emitido pelo setor dos transportes.
    Sequestrar o carbono é evitar que o dióxido de carbono gasoso, consequência da combustão de combustíveis fósseis, se acumule na atmosfera. Da assimilação deste gás pela fotossíntese das plantas (e outros seres fotossintéticos, como algas e algumas bactérias) resultam materiais orgânicos, entre os quais está uma proporção de biomassa perene – madeira – e matéria orgânica do solo, cujo carbono pode permanecer longos anos até ser de novo oxidado até dióxido de carbono e voltar à atmosfera. Existe uma diferença significativa a nível da retenção de parte do carbono fixado fotossinteticamente no ecossistema entre florestas e sistemas agrícolas: nestes últimos, e independentemente da taxa de fotossíntese, a acumulação de carbono é normalmente muito baixa.

Ciclo do carbono representado esquematicamente

    Potenciar o sequestro de carbono pelas florestas tem duas vertentes: por um lado, há a necessidade de conservação das florestas já existentes, e por outro, podemos ampliar o potencial de sequestro de carbono através do aumento da área florestal e da boa gestão do território. Na verdade, as ações de destruição das florestas não só libertam as grandes quantidades de carbono retidas no ecossistema – decomposição ou queima de material vegetal e de matéria orgânica do solo – como diminuem temporariamente a capacidade de sequestro, devido às perdas de potencial produtivo. A desflorestação é uma das causas importantes do aumento de Gases com Efeito de Estufa (GEE) no hemisfério sul e nas zonas tropicais, enquanto no hemisfério norte o principal mecanismo contribuinte é a queima de combustíveis fósseis.
    A plantação de novas florestas e uma gestão cuidada do território podem contribuir também para aumentar a capacidade de sequestro de um país ou região. Em muitos casos, nomeadamente na Europa e América do Norte, esta contribuição é relativamente pequena quando comparada com o que retêm as florestas existentes. Porém, é um processo em que a sociedade pode intervir diretamente e, por isso, o sequestro de carbono resultante de acções de florestação e reflorestação que tenham ocorrido depois de 1990 é suscetível de transacção no âmbito do Protocolo de Quioto, isto é, podem ser objeto do mercado de emissões no período de cumprimento de 2008 a 2012.
João Santos Pereira, n.° 82 (adaptado)


  Destaque-se a participação do Colégio Luso-Francês o Projeto Sequestro do Carbono, dinamizado pelo Parque Biológico de Gaia, durante o ano letivo de 2013/2014, com várias atividades dinamizadas durante o ano no sentido de angariar fundos para promover a florestação de uma área a adquirir pelo Parque.
Certificado de colaboração do CLF no Projeto Sequestro do Carbono 

 Relativamente às florestas em território nacional, e após mais um Verão carregado de incêndios (não se apague a memória em meses de outono e inverno!), as perspetivas não são animadoras...
Evolução da área ardida, em hectares, nas florestas portuguesas, entre 1980 e 2012

domingo, 3 de novembro de 2013

Será possível alimentar a Humanidade (em crescimento) e preservar a Terra?

   Ainda em volta do tema da alimentação, no seguimento das publicações anteriores, reproduzimos artigo do P3, suplemento do jornal Público. Aconselhamos ainda a leitura do artigo Alimentos (e um planeta) para todos, pelo mesmo autor.

  Os desafios de comer sem destruir o planeta

    Duarte Torres, nutricionista

   Um dos maiores desafios globais com que nos deparamos actualmente é o da sustentabilidade alimentar.
    Vejamos o que se passa: somos aproximadamente 7,1 mil milhões de habitantes, um em cada oito passa fome e as crianças são as principais vítimas, sobretudo em algumas zonas da Ásia, África e América do Sul. Paradoxalmente, o solo cultivado produz hoje alimentos suficientes para alimentar toda a população mundial, mas, contabilizando as perdas que ocorrem durante a produção, o transporte, a transformação, a comercialização, e mesmo em nossas casas e restaurantes, desperdiçamos mais de um quarto dos alimentos que produzimos.
    Adicionalmente, dos cereais cultivados, utilizamos cerca de um terço para produzir rações que alimentam animais e cerca de um sétimo para produzir biocombustíveis que alimentam máquinas. À escala global, na fila para a comida, colocamos os animais e as máquinas à frente das pessoas.
    O rendimento da produção agrícola mais que duplicou nos últimos 50 anos, principalmente, graças ao melhoramento genético das variedades cultivadas, à utilização de fertilizantes e de pesticidas. Contudo, nos países mais desenvolvidos, tem-se verificado uma estabilização do rendimento da produção agrícola, sinal de que o potencial do modelo actual está a esgotar-se.
    Devido à irrigação intensiva, em algumas zonas da China e da Índia os aquíferos estão a esvair-se (70% da água consumida anualmente destina-se à produção agropecuária), e muitos cursos de água estão contaminados com pesticidas e fertilizantes que escorrem dos solos agrícolas. Já utilizamos cerca de 40% do solo disponível para a produção de alimentos e a área continua a aumentar, muito à custa da diminuição da área de floresta virgem e da perda de biodiversidade. Nas últimas duas décadas, países como as Filipinas ou a Indonésia viram mais de um quinto da área florestal desaparecer e todos os anos a Amazónia perde uma área equivalente à da Bélgica.  
    Do aumento da população mundial (espera-se que atinja os 9 mil milhões em 2050) e do aumento do poder de compra de grande parte dessa população (estima-se que o número de pessoas da classe média mundial aumente de 2 mil milhões para 5 mil milhões nos próximos 20 anos, provenientes principalmente do continente asiático) resultará, a médio prazo, a duplicação da procura de alimentos sendo que a de origem animal como a carne, o peixe, os ovos e os lacticínios (ricos em proteínas) aumentará ainda mais. De facto, mantendo as práticas atuais de produção e captura, satisfazer as necessidades proteicas da população humana recorrendo a fontes proteicas animais é um dos maiores desafios que enfrentamos. 
    Senão vejamos. A quantidade de peixe capturado atingiu o seu valor mais alto em 1994 e, desde esse ano, tem demonstrado uma ligeira tendência decrescente. Isso resulta em grande medida de práticas piscatórias altamente lesivas para os recursos marinhos que, a manter-se, exterminarão os oceanos em quatro ou cinco décadas. Exemplificando, estima-se que a pesca de arrasto de profundidade, anualmente, transforme numa área inerte uma extensão do fundo do mar equivalente à área da Rússia.
    A produção de carne tem também importantes implicações ambientais. Cerca de 70% da área agrícolas é utilizada para produzir pasto ou culturas para rações animais. Devido a esta exigência a produção de gado é considerada a principal causadora da desflorestação que tem vindo a ser verificada à escala mundial. A produção de gado ruminante (vaca, ovelha, cabra, etc) é também responsável pela produção de gases com efeito estufa em quantidade superior à produzida por todos os automóveis que circulam no mundo.
    Os desafios, como vemos, são muitos, e são globais. Mesmo assim, será possível pensar num mundo de abundância alimentar no futuro? Não será fácil, mas há soluções. Falarei delas no próximo artigo.
*Nutricionista e professor
Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação Universidade do Porto
dupamato@fcna.up.pt

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Dia Mundial do Ambiente: Pense, poupe e coma (ONU)

    Dia Mundial do Ambiente, 5 de junho
    Este ano, a Organização das Nações Unidas (ONU) propõe para este dia o lema 'Pense, poupe e coma', alertando para o desperdício alimentar e os impactes no ambiente.

    A pegada ecológica é uma medida do impacto individual/coletivo sobre o ambiente, dependente das escolhas feitas na nossa vida. Traduz a área que necessitamos para manter o nosso estilo de vida, e uma estimativa da quantidade de planetas necessários para a Humanidade, admitindo esse impacto.

    Calcule a sua pegada ecológica e repense as suas opções!

    Há mais de 20 anos, numa conferência da ONU para o meio ambiente, foi feito um discurso que se tornou histórico. Servirá de alerta para alterações que (ainda) podemos controlar e reverter, contribuindo para a sustentabilidade da Terra!


     

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Quantas pessoas podem viver na Terra?


    Numa altura em que a crise de natalidade põe em causa a sustentabilidade 

de serviços de apoio social dos estados e a continuidade das identidades
que reconhecemos por países, a população mundial continua a crescer a uma
taxa muitas vezes superior ao que se verificava até meados do século XX: somos já uma família com 7 mil milhões de pessoas!

    Este documentário da BBC, com David Attenborough, pretende responder

à difícil e controversa questão: Quantas pessoas podem viver no planeta Terra?
Como o próprio afirma, toca nas nossas decisões mais pessoais mas, num contexto de consciência global e de sustentabilidade ecológica, é imperativo refletirmos sobre o futuro do planeta, admitindo este crescimento e suas implicações, nomeadamente ao nível da exploração de recursos e produção de resíduos.


sábado, 22 de dezembro de 2012

Bom Natal (sustentável)

    Bom Natal sustentável (na iluminação!)
    (As figuras e os dados são do Ciência Viva)


   
    Sabia que a iluminação é responsável  por 19 % da electricidade consumida em todo o mundo? 
    E que a emissão de CO2 relativa à produção desta energia é 3 vezes maior do que as emissões devidas ao transporte aéreo em todo o mundo?

    Ao substituir as antigas lâmpadas incandescentes (na árvore de Natal mas principalmente em toda a casa) por lâmpadas mais eficientes, estamos a poupar energia e a reduzir as emissões de CO2. 

    Esta poupança traduz-se na factura da luz e na nossa pegada ecológica.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Extinção do Homem e os vencedores e derrotados que daí saem


    'De um momento para o outro e por qualquer motivo desconhecido, todas as pessoas desaparecem das cidades; surgirão vencedores e vencidos biológicos, no contexto citadino definitivamente abandonado pelos seus criadores.
    No momento em que pela primeira vez a população urbana portuguesa ultrapassou a população rural, a especulação sobre o que aconteceria num ambiente urbano sem portugueses é curiosa, apresentando-se como uma realidade que deveremos tomar em atenção. No I Congresso Europeu de Conservação Biológica, em 2006, foi discutido que “com metade da população mundial a viver actualmente em cidades e a previsão de 60% em 2030, o ambiente urbano é um dos pontos principais da agenda global de ambiente e de conservação.” Mas o que se passaria nas nossas cidades, após o desaparecimento de todos os portugueses?

    Os vencedores
  Entre os vencedores biológicos deste omnicídio estão os mosquitos, que sem campanhas de extermínio, e aproveitando-se de zonas húmidas, aumentarão exponencialmente o seu número. Esses insectos alimentar-se-ão de animais como as aves. Estas, sem cabos de alta-tensão e arranha-céus (entretanto destruídos, por falta de manutenção), poderão voar livremente. Todos os anos os arranha-céus são responsáveis pela morte de 1000 milhões de aves, só nos EUA. Para Daniel Klem Jr., ornitólogo do Muhlenberg College, o revestimento em vidro dos edifícios das cidades constitui um fenómeno “indiscriminado, eliminando aptos e não-aptos”. As aves colidem com aquelas estruturas, pois não as conseguem identificar, por serem espelhadas, vendo apenas o céu ou árvores reflectidas. Segundo este investigador, só a destruição de habitats tem um impacto mais negativo sobre as aves.

    E os nossos animais de estimação?
  Os gatos contam-se entre os prováveis vencedores do período pós-humano, caçando pequenos mamíferos, insectos e aves, à semelhança do que fazem actualmente. Gradualmente aumentarão de tamanho, competindo directamente com outros predadores. Os cães poderão ter dois destinos. As raças de comportamento dominante agrupar-se-ão em matilhas, à semelhança do que ocorre hoje em dia, em matilhas de cães assilvestrados. Desta forma poderão sobreviver, readquirindo alguns comportamentos ancestrais dos lobos, percorrendo ruas e avenidas em busca de presas. Presentemente, os cães abandonados são responsáveis por ataques a rebanhos que ocorrem no nosso país, embora os proprietários prefiram responsabilizar o lobo-ibérico… Na minha opinião, os cães mais dóceis ou pequenos serão remetidos para nichos ecológicos reduzidos, ou terão como destino a extinção. O meu Labrador provavelmente não se safaria…

    Flora exótica como espanta-lobos (Ailanthus altíssima), robínia (Robinia pseudoacacia), acácia-de-espigas (Acacia longifolia) e árvore-do-incenso (Pittosporum ondulatum) existem nas nossas cidades, tendo sido aí introduzidas para ornamentação de jardins, arborização de espaços urbanos e sebes. A espanta-lobos é proveniente da China, produzindo até 350 000 sementes anualmente. Além de extremamente agressiva para as plantas autóctones, liberta toxinas que impedem o desenvolvimento de vegetação em seu redor. Sem campanhas de erradicação, algumas plantas exóticas substituirão definitivamente as plantas originais, colonizando cada vez maiores áreas e modificando a paisagem natural. Segundo Elizabete Marchante, do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra, “desde há pouco tempo, começou a surgir em espaços urbanos outra espécie (Sesbania punicea) que, apesar de ainda não ser invasora em Portugal, é uma invasora perigosa em ecossistemas com clima idêntico.”
    As árvores vencedoras do abandono humano ocuparão a maioria das ruas ao fim de dois a quatro anos. As suas raízes irão destruir progressivamente asfalto e passeios, bem como a rede de água e esgotos, contribuindo para o cada vez maior esquecimento dos vestígios humanos.
Nada do aspecto actual das cidades será mantido. Se houvesse alguém para o descrever, veria um ambiente caótico em que as marcas de construção humana seriam, pouco a pouco, engolidas pela vegetação.

     Os derrotados
    Os perdedores biológicos do nosso abandono serão vários. Sem a presença humana, as cidades e zonas próximas serão mais um ambiente a explorar. Manadas de vacas à solta serão um manancial meigo para lobos e raposas.
Estas serão uma fonte de alimento fácil para todo o tipo de predadores, que se aproximarão cada vez mais dos ambientes urbanos. Cadáveres de porcos, por alimentar, serão fonte de alimento para todo o tipo de necrófagos. Algumas das aves, como os corvos, habituais em ambientes urbanos mais a norte, invadirão inicialmente as urbes, alimentando-se das carcaças. Este ciclo será apenas momentâneo, uma vez que sem o factor humano presente a fonte de alimento em putrefacção condicionará aqueles vencedores fugazes. As galinhas com sua capacidade de se geo-orientarem, recentemente descoberta, não encontrarão caminho para uma salvação evolutiva. Voadoras débeis, serão para o futuro sem humanos o que o Dodó foi para o séc. XXI humanos – uma recordação…
   Mas e os odiados ratos e ratazanas? Dependentes dos desperdícios alimentares humanos, estas espécies de mamíferos declinarão, servindo de refeição a vários predadores. As baratas, de quem se diz serem capazes de sobreviver a um ataque nuclear, terão igualmente a vida difícil, pois os ambientes humanos aquecidos e com comida disponível terão desaparecido. Em especial no hemisfério norte, como atesta Alan Weisman no seu recente livro “World without us”, as fontes de calor permitem que aqueles insectos rastejantes vivam em cidades com Invernos rigorosos. Outros insectos, como gorgulhos e traças, anteriormente muito abundantes em quase todos os continentes, entrarão em declínio; as fontes de alimentos que as sustentavam (essencialmente cereais) acabarão pouco a pouco. Uma incógnita evolutiva serão as formigas. Connosco partilhavam os ambientes citadinos, apossando-se de alguns dos nossos domínios. Carreiros de obreiras invadiam as casas, procurando todo alimento para transportarem para as suas colónias. Contudo, devido ao seu carácter social, terão maior facilidade em se adaptar a ambientes desprovidos de sobras humanas.
No cômputo geral, verificar-se-á um acréscimo na biodiversidade bem como o lento restabelecimento das dinâmicas estruturais dos ecossistemas, dos ciclos biogeoquímicos e das alterações climáticas.

    Marcas não vivas

    As zonas florestadas das cidades, até agora remetidas a parques ou passeios, alastrarão por áreas cada vez maiores, contribuindo com galhos e folhas para que a matéria orgânica depositada no solo (ou no cada vez menor alcatrão disponível) seja abundante.
   Todo este combustível orgânico será um potencial alimentador de incêndios, originados por relâmpagos ou por curto-circuitos dos sistemas eléctricos sem manutenção. Ao fim de alguns anos, os incêndios terão alterado o aspecto das cidades, destruindo construções e mobiliário urbano.
   A estatuária, distintiva de qualquer ambiente citadino, será, pouco a pouco, tragada pelo correr do tempo. As estátuas, em especial as de calcário ou mármore, serão lentamente meteorizadas por chuvas carregadas de dióxido de carbono, que dissolverão o carbonato de cálcio de que são feitas. Faces, membros e corpos serão arrastados pelas águas que caem do céu, levando as memórias de monarcas e poetas para os rios e o mar. Este fenómeno será geologicamente rápido, ou seja, escassas centenas de anos.
   O mesmo fenómeno ocorrerá nos revestimentos dos edifícios. O outrora imponente e belo granito polido dará lugar a uma estrutura que se desagrega – fenómeno originado pela alteração dos feldspatos em argilas.
   A ponte sobre o Tejo, sem manutenções regulares, entrará num processo de desagregação. Mesmo a sua estrutura reforçada, que outrora permitia a circulação de comboios, não evitará o seu colapso.
   Segundo William Rathje, da Universidade de Stanford, arqueólogo especializado em desperdícios humanos, ao fim de 10000 anos ainda será possível ler os jornais do último dia dos seres humanos na Terra. Em ambientes anóxicos (sem oxigénio), como aqueles em que os jornais são cobertos por sedimentos, os constituintes do papel permanecem inalteráveis, à semelhança do que ocorreu com os papiros com mais de 3000 anos. Ao fim de 15000 anos, os últimos de vestígios de edifícios serão tragados pelo avanço de glaciares que uma nova Idade do gelo originará. Os níveis de dióxido de carbono só ao fim de cem mil anos atingirão níveis idênticos ao do período pré-industrial. Apenas ao fim de 35000 anos terão desaparecido os últimos vestígios de chumbo, acumulados ao longo de dezenas de anos de utilização automóvel.
P   assados dez milhões de anos, as únicas marcas da nossa fugaz passagem pelo planeta serão, por exemplo, estátuas de bronze, como a do Rei Dom José I, no Terreiro do Paço. Apenas a sua forma contemplará o Tejo (ou o local onde este estaria) num planeta sem seres humanos…'

Blogue Ciência ao Natural

sábado, 3 de novembro de 2012

Hágua - Seu Jorge canta a importância deste recurso e suas ameaças

    Seu Jorge canta Hágua, sobre a importância deste recurso e ameaças atuais à sua qualidade e disponibilidade para todos os seres humanos e não-humanos!

 O seco deserto esta tomando conta do planeta
Água doce, bebível potável está acabando
Poluição, devastação, queimadas
Desequilíbrio mental
Desequilíbrio do meio ambiente
Segundo previsões dos cientistas
De padres, pastores, budistas
De ciganos, pai de Santos, Hare Krishna
O tempo vai secar
O sol vai carcumer
E água pra beber
(Não vai ter)
E água pra lavar
(Não vai dar)
Água pra benzer
E água pra nadar
Nada, nada (x2)
O seco deserto esta tomando conta do planeta
Água doce, bebível potável está acabando
Poluição, devastação, queimadas
Desequilíbrio mental
Desequilíbrio do meio ambiente
Segundo previsões dos cientistas
De padres, pastores, budistas
De ciganos, pai de Santos, Hare Krishna
O tempo vai secar
O sol vai carcumer
E água pra beber
(Não vai ter)
E água pra lavar
(Não vai dar)
Água pra encher
E água pra nadar
Nada, nada (x2)

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Zero Desperdício: ação para um futuro sustentável

   Foi hoje lançada a iniciativa Zero Desperdício, que pretende contribuir para a informação e sensibilização dos cidadãos para o desperdício. 


   Tendo em perspetiva um Desenvolvimento Sustentável, apenas diminuindo o consumo de recursos e a produção de resíduos poderemos interagir com a Natureza sem o 'fantasma' da rutura dos ecossistemas e, em último caso, da própria existência Humana.


   O Hino da iniciativa, com várias personalidades conhecidas:


 
   Para saber mais sobre o Zero Desperdício: missão, números, estabelecimentos aderentes (onde poderá consumir sabendo que as 'sobras' não serão simplesmente lançadas no lixo), entre outros.


   Alguns números para pensarmos:

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

   Gorila da montanha (Gorilla gorilla), filmado no Uganda. 

   
   Surgem sempre dúvidas relativamente a estas interações: serão forjadas? ou naturais? trata-se de animais selvagens ou domesticados, de alguma forma. 

   Aproveitando um comentário de um leitor do jornal Público, explique-se:

   O que acontece aqui é que são animais habituados a lidar diariamente com pessoas. Estas não são inimigos. São animais selvagens num meio relativamente artificializado. (...) Animais treinados necessitam de avaliar permanentemente o seu comportamento através do feedback dos seus treinadores. Assim, o comportamento não é um cortamento treinado mas condicionado naturalmente pelo meio relativamente artificial, não só nas estruturas montadas para os turistas mas também na relação dos gorilas com os humanos.

    De qualquer das formas, poderão ser um meio para alertar para a situação crítica desta espéci: está classificada como Criticamente em Perigo, pelo Livro Vermelho das Espécies, da União Internacional para a Conservação da Natureza. As razões? As mesmas de sempre: destruição do habitat, caça furtiva para amuletos no mercado negro, enfim, pressão e capricho humanos... 

    Para saber mais sobre o Gorila, ver aqui.


    Para vídeos de Gorilas, ver aqui.


    Mais uma vez, Hollywood já aproveitou uma história real para um blockbuster, nos anos 1980. 


   O filme Gorillas in the Mist (Gorilas na Bruma), conta a história de Diane Fossey, uma naturalista que viveu próximo dos gorilas e realizou estudos e filmagens que permitiram conhecer melhor estes indivíduos fenomenais. Foi morta por caçadores furtivos, em 1985. 

   

domingo, 18 de dezembro de 2011

Conservação de espécies que ocorrem no território português: porque nem só do PIB se faz a riqueza de um país!

   Duas espécies emblemáticas e atualmente com muito poucas hipóteses de encontrarem em Portugal habitats adequados às suas características (curiosamente, ao lado, em Espanha, além de, em meio selvagem terem muito mais território protegido, as iniciativas de reprodução em cativeiro têm sido mais apoiadas e bem sucedidas. Talvez, afinal, venham bons ventos de Espanha...).


   São, pois, duas espécies IBÉRICAS, mas parece que inimizades antigas com os vizinhos nos têm deixado para trás, até na conservação de espécies.


    O Lince-Ibérico (Lynx pardinus)

   

    O Lobo-Ibérico (Canis lupus signatus)

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Festival Eletrão - Iniciativa da amb3e (Reciclagem de Equipamento Elétricos e Eletrónicos)


       Em Gaia, nos próximos dias 9 e 10 de Dezembro, passa o Festival Eletrão, onde será feita uma recolha de Equipamentos Elétricos e Eletrónicos. Haverá ainda concerto pela banda Reciclados!

 
    Mais informações aqui

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A propósito do Aquecimento Global

   Mais uma notícia do Jornal Público: 


   Estudo independente ataca cépticos e confirma que a Terra está mesmo mais quente
   21.10.2011, Helena Geraldes


   A temperatura da Terra aumentou, em média, 1ºC desde a década de 1950, diz um grupo de cientistas americanos que quis responder às dúvidas dos mais cépticos e aquecer o debate climático, em lume brando desde o “climategate” em 2009.

   A temperatura média da superfície terrestre aumentou 1ºC desde meados da década de 50, concluiu o chamado Grupo de Berkeley, dez cientistas da Universidade da Califórnia, em quatro estudos científicos independentes, divulgados ontem à noite. “O aquecimento global é real”, escreve, em comunicado, o grupo coordenado por Richard A. Muller, professor de Física daquela universidade, ele próprio um antigo crítico. (...)

   O artigo original, em inglês, encontra-se aqui.

   E, como se não bastasse a força das palavras, aqui fica um vídeo de alerta!