Importante paleontólogo, biólogo de evolução e divulgador de Ciência, Stephen Jay Gould (1941-2002) fez escolhas curiosas quando lhe pediram resposta para a questão: Quais são para si as 7 maravilhas do Mundo?
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sábado, 10 de novembro de 2012
sábado, 3 de novembro de 2012
Hágua - Seu Jorge canta a importância deste recurso e suas ameaças
Seu Jorge canta Hágua, sobre a importância deste recurso e ameaças atuais à sua qualidade e disponibilidade para todos os seres humanos e não-humanos!
O seco deserto esta tomando conta do planeta
Água doce, bebível potável está acabando
Poluição, devastação, queimadas
Desequilíbrio mental
Desequilíbrio do meio ambiente
Poluição, devastação, queimadas
Desequilíbrio mental
Desequilíbrio do meio ambiente
Segundo previsões dos cientistas
De padres, pastores, budistas
De ciganos, pai de Santos, Hare Krishna
De padres, pastores, budistas
De ciganos, pai de Santos, Hare Krishna
O tempo vai secar
O sol vai carcumer
O sol vai carcumer
E água pra beber
(Não vai ter)
E água pra lavar
(Não vai dar)
Água pra benzer
E água pra nadar
Nada, nada (x2)
(Não vai ter)
E água pra lavar
(Não vai dar)
Água pra benzer
E água pra nadar
Nada, nada (x2)
O seco deserto esta tomando conta do planeta
Água doce, bebível potável está acabando
Poluição, devastação, queimadas
Desequilíbrio mental
Desequilíbrio do meio ambiente
Água doce, bebível potável está acabando
Poluição, devastação, queimadas
Desequilíbrio mental
Desequilíbrio do meio ambiente
Segundo previsões dos cientistas
De padres, pastores, budistas
De ciganos, pai de Santos, Hare Krishna
De padres, pastores, budistas
De ciganos, pai de Santos, Hare Krishna
O tempo vai secar
O sol vai carcumer
O sol vai carcumer
E água pra beber
(Não vai ter)
E água pra lavar
(Não vai dar)
Água pra encher
E água pra nadar
Nada, nada (x2)
(Não vai ter)
E água pra lavar
(Não vai dar)
Água pra encher
E água pra nadar
Nada, nada (x2)
quinta-feira, 12 de julho de 2012
A conduta dolosa da Ciência? Heinrich Rohrer
O vencedor do prémio Nobel em 1986, Heinrich Rohrer escreve sobre atividade científica: a legítima e a não legítima, para o Público: A conduta dolorosa da Ciência?, no Jornal Público de 5 de julho de 2012.
Os órgãos de comunicação social têm relatado cada vez mais casos de fraude científica, plágio e escrita fantasma, criando a impressão de que a conduta fraudulenta se tornou num mal generalizado e omnipresente na investigação científica. Mas estas notícias representam mais um exemplo da forma como os órgãos de comunicação social se agarram a um tema "quente", do que propriamente uma descrição fiel da deterioração dos valores da ciência. Longe de serem a prática habitual na investigação científica, as fraudes e as irregularidades são raras excepções e geralmente são rapidamente identificadas por outros cientistas. E o público parece entender este facto. Na verdade, a confiança na investigação científica não tem sido seriamente prejudicada por denúncias de conduta irregular. Por outro lado, estes raros incidentes também não têm reduzido o progresso científico, que é tão valioso para a humanidade.
Nas ciências "exactas" como a matemática e a física, a verdade pode ser estabelecida de forma mais transparente, o que faz com que estas áreas sejam menos propensas a uma conduta científica imprópria. Mas as áreas da medicina, ciências humanas, filosofia, economia e outras ciências sociais, que dependem mais da abertura e imaginação, podem ser mais facilmente manipuladas para satisfazer os objectivos de burocratas.
Na verdade, muitas das áreas actualmente designadas como "ciências" – por exemplo, a recolha de estatísticas tendenciosas, com o objectivo de favorecer um político (ou empresa), ou a publicação de uma variante do conhecimento existente – estão muito aquém dos padrões científicos de originalidade e da procura de percepção básica.
E contudo, apesar da burocratização da ciência ter alimentado preocupações a respeito da sua capacidade para cativar pensadores talentosos, não devemos ser excessivamente pessimistas. Com efeito, muitas pessoas lamentaram que se tivessem perdido mentes brilhantes para o sector financeiro ao longo das últimas décadas. Mas talvez devêssemos considerar que o facto de esses génios terem ido criar os seus caos noutro lugar foi um golpe de sorte. Além disso, subestimamos a nova geração de cientistas. Tal como na geração anterior, muitos jovens investigadores talentosos sabem que têm de trabalhar com afinco para enfrentar gigantescos desafios e fornecer contributos valiosos à sociedade.Mas devemos ter cuidado para não corromper o seu trabalho com as práticas questionáveis que a comunidade científica adoptou nos últimos anos. A nova geração de investigadores tem de ser dotada de competências e valores – não apenas de ideais científicos, mas também da consciência sobre as fraquezas humanas – que lhe permitirão corrigir os erros dos seus antecessores.
Tradução: Teresa Bettencourt/Project Syndicate
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Dia Nacional da Cultura Científica
Neste dia, 24 de Novembro, Dia Nacional da Cultura Científica, não poderíamos deixar de assinalar a importância crescente da literacia e cultura científicas na população, atravessando níveis de escolaridade e formações profissionais, nesta era do conhecimento e da Ciência (e Tecnologia) que se influenciam reciprocamente.
Aqui fica também a nossa homenagem ao Professor Rómulo de Carvalho (ou poeta António Gedeão, a sua outra pele), um dos grandes divulgadores de Ciência portugueses, contemporâneo, humano, divertido e, por tudo isso, um gigante da cultura e história portuguesas.
Hoje é dia 24 de Novembro, Dia Nacional da Cultura Científica, em homenagem a Rómulo de Carvalho: professor, metodólogo, investigador, e autor de manuais escolares, de livros de divulgação científica e de poesia, estes últimos sob o pseudónimo de António Gedeão.
Em 1996, Mariano Gago, o então Ministro da Ciência e da Tecnologia e admirador da obra de Rómulo de Carvalho que completava 90 anos, propôs uma homenagem nacional ao talentoso professor. Mariano Gago já havia prefaciado, em 1992, o livro “A Física no dia-a-dia”, onde dá conta do valor de Rómulo de Carvalho, mas considerou que era oportuna a iniciativa de uma homenagem maior. Na notícia do jornal“Público” de 24 de Novembro de 1996, propôs que aquele dia do ano se tornasse Dia da Cultura Científica. Esse dia devia ser «momento privilegiado, todos os anos, de balanço, de reflexão e de acção sobre o papel do conhecimento no nosso futuro».
Rómulo de Carvalho publicou cerca de cem obras, desde livros sobre a história da ciência aos seus cadernos de divulgação científica, não esquecendo os manuais escolares, ainda na memória de muitos como os “cadernos do Pedrito” (modo carinhoso de referir os seus livros de Ciências da Natureza) ou os compêndios de Física do ensino secundário.
Publicou dois livros de divulgação de ciência em três números da colecção “Biblioteca Cosmos”, dirigida por Bento de Jesus Caraça, que foi um marco da divulgação de ciência nos anos 40. Foi mentor e autor da coleção “Ciência para Gente Nova”, onde publicou oito dos nove livros dessa coleção. Tratam de histórias de ciência ou de desenvolvimentos tecnológicos: o do telefone, da fotografia, dos balões, da eletricidade estática, do átomo, da radioatividade, dos isótopos e da energia nuclear. Alguns desses títulos chegaram à terceira edição. A “História dos Balões”, conheceu mesmo uma quarta edição nos anos 90.
Rómulo de Carvalho procurou dirigir-se em «Física para o Povo», não a uma elite instruída ou interessada em ciência mas a toda a gente. Publicou esse livro «com a intenção de promover a cultura popular», como ele próprio escreve nas suas «Memórias». A reedição, em 1995, saiu com o novo título de “A Física no dia-a-dia” por decisão de Rómulo de Carvalho que escreve «…não me pareceu bem aquela referência ao povo depois do 25 de Abril.».
Um dos vários trabalhos, com o objetivo de promover a ciência e o conhecimento científico e tecnológico, que Rómulo de Carvalho abraçou após a sua aposentação foram os 18 "Cadernos de Iniciação Científica", onde recorreu a uma linguagem atraente no discurso e na imagem. O valor destes cadernos justifica que eles tenham sido reunidos num só volume, em 2004, com a chancela da Relógio D’Água. Nesse volume encontra-se uma abordagem científica de temas basilares da ciência como os constituintes da matéria, a energia, ondas e corpúsculos, magnetismo e eletromagnetismo.
Helena Aires Rodrigues,
Professora de Física e Química na Escola Secundária de D. Duarte – Coimbra e Doutoranda em Ensino das Ciências – ramo de Física. O seu doutoramente debruça-se sobre a obra de divulgação de RC.
Aqui fica também a nossa homenagem ao Professor Rómulo de Carvalho (ou poeta António Gedeão, a sua outra pele), um dos grandes divulgadores de Ciência portugueses, contemporâneo, humano, divertido e, por tudo isso, um gigante da cultura e história portuguesas.
Hoje é dia 24 de Novembro, Dia Nacional da Cultura Científica, em homenagem a Rómulo de Carvalho: professor, metodólogo, investigador, e autor de manuais escolares, de livros de divulgação científica e de poesia, estes últimos sob o pseudónimo de António Gedeão.
Em 1996, Mariano Gago, o então Ministro da Ciência e da Tecnologia e admirador da obra de Rómulo de Carvalho que completava 90 anos, propôs uma homenagem nacional ao talentoso professor. Mariano Gago já havia prefaciado, em 1992, o livro “A Física no dia-a-dia”, onde dá conta do valor de Rómulo de Carvalho, mas considerou que era oportuna a iniciativa de uma homenagem maior. Na notícia do jornal“Público” de 24 de Novembro de 1996, propôs que aquele dia do ano se tornasse Dia da Cultura Científica. Esse dia devia ser «momento privilegiado, todos os anos, de balanço, de reflexão e de acção sobre o papel do conhecimento no nosso futuro».
Rómulo de Carvalho publicou cerca de cem obras, desde livros sobre a história da ciência aos seus cadernos de divulgação científica, não esquecendo os manuais escolares, ainda na memória de muitos como os “cadernos do Pedrito” (modo carinhoso de referir os seus livros de Ciências da Natureza) ou os compêndios de Física do ensino secundário.
Publicou dois livros de divulgação de ciência em três números da colecção “Biblioteca Cosmos”, dirigida por Bento de Jesus Caraça, que foi um marco da divulgação de ciência nos anos 40. Foi mentor e autor da coleção “Ciência para Gente Nova”, onde publicou oito dos nove livros dessa coleção. Tratam de histórias de ciência ou de desenvolvimentos tecnológicos: o do telefone, da fotografia, dos balões, da eletricidade estática, do átomo, da radioatividade, dos isótopos e da energia nuclear. Alguns desses títulos chegaram à terceira edição. A “História dos Balões”, conheceu mesmo uma quarta edição nos anos 90.
Rómulo de Carvalho procurou dirigir-se em «Física para o Povo», não a uma elite instruída ou interessada em ciência mas a toda a gente. Publicou esse livro «com a intenção de promover a cultura popular», como ele próprio escreve nas suas «Memórias». A reedição, em 1995, saiu com o novo título de “A Física no dia-a-dia” por decisão de Rómulo de Carvalho que escreve «…não me pareceu bem aquela referência ao povo depois do 25 de Abril.».
Um dos vários trabalhos, com o objetivo de promover a ciência e o conhecimento científico e tecnológico, que Rómulo de Carvalho abraçou após a sua aposentação foram os 18 "Cadernos de Iniciação Científica", onde recorreu a uma linguagem atraente no discurso e na imagem. O valor destes cadernos justifica que eles tenham sido reunidos num só volume, em 2004, com a chancela da Relógio D’Água. Nesse volume encontra-se uma abordagem científica de temas basilares da ciência como os constituintes da matéria, a energia, ondas e corpúsculos, magnetismo e eletromagnetismo.
Helena Aires Rodrigues,
Professora de Física e Química na Escola Secundária de D. Duarte – Coimbra e Doutoranda em Ensino das Ciências – ramo de Física. O seu doutoramente debruça-se sobre a obra de divulgação de RC.
Também no blog De Rerum Naura, uma publicação entitulada Rómulo / Gedeão: Em jeito de testemunho... de Regina Gouveia, para saberem mais sobre o homem, poeta e professor que tinha nome de navegador: das palavras e da Ciência...
Para saber mais sobre RC / AG, visitem o sítio António é o meu nome
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Fotógrafo Português também distinguido por fotografia da Vida Selvagem
A imagem de um tubarão azul ao largo do Faial, nos Açores, deu ao fotógrafo português Nuno Sá um “alto louvor” no concurso Veolia Environment Wildlife Photographer of the Year 2011.
“Racing blue” foi a fotografia com a qual Nuno Sá ganhou um “alto louvor” na categoria “The Underwater World”, distinguindo-se entre um total de 41 mil fotografias vindas de 95 países. A imagem vencedora deste ano é “Still life in oil”, do espanhol Daniel Beltrá.
O National History Museum de Londres, que promove o concurso, dedica a Nuno Sá uma página
Para quem quiser conhecer a obra deste fotógrafo, a página pessoal encontra-se aqui. Poderá ser um autor pouco conhecido, mas concerteza tem sido amplamente reconhecido o seu trabalho em variadas revistas associadas ao mundo marinho!
O LusoCiências felicita o autor!
domingo, 23 de outubro de 2011
Prémio Fotografia da Vida Selvagem: Daniel Beltrá vence com fotografia de derrame de petróleo
Daniel Beltrá, espanhol radicado nos EUA, venceu a edição de 2011 do concurso de Fotografia da Vida Selvagem.
O trabalho do autor incluem reportagens sobre as florestas húmidas, o gelo e o derrame de petróleo no Golfo do México, em 2010 (com responsabilidade da multinacional BP). Mais fotografias de Beltrá.
O trabalho do autor incluem reportagens sobre as florestas húmidas, o gelo e o derrame de petróleo no Golfo do México, em 2010 (com responsabilidade da multinacional BP). Mais fotografias de Beltrá.
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Fotografia vencedora do concurso: Pelicanos cobertos com petróleo |
Em entrevista, o fotógrafo fala sobre o que o motiva a trabalhar em vida selvagem e, em particular, a sua experiência no desastroso derrame de petróleo da BP em 2010, que atingiu em particular todo o Golfo do México. Foca aspetos-chave como a necessidade de encarar este tipo de desastre como tendo origem na ação humana, a necessidade de viver de forma mais sustentável, do crescimento demográfico explosivo, entre outros.
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Afinal o que é a Vida? E como começou? (Luís Alcácer)
Não havia espaço, nem tempo. Nem matéria, nem energia. Era o "vácuo" (o "nada"). Mas, o "vácuo" também não existia. Era apenas um estado quântico. Nos primeiros 10-43 segundos (0.0000000000000000000000000000000000000000001 segundos) os físicos não sabem bem o que aconteceu. Isso foi há cerca de 15 mil milhões de anos! Deram-lhe o nome de "Big Bang". A partir daí, a física tem uma teoria relativamente bem fundamentada, suportada por observações da radiação cósmica.
A Terra deve ter-se formado há cerca de 4.56 mil milhões de anos. A existência de fósseis data a origem da vida na Terra, em pelo menos 3,5 mil milhões de anos. Há mesmo vestígios fósseis de células primitivas em rochas da Groenlândia com pelo menos 3,8 mil milhões de anos. A vida poderia ter começado, ainda muito antes, noutro astro de um qualquer sistema, ou em mais do que um. Para o caso, isso é irrelevante. De entre as moléculas que havia na Terra antes do aparecimento da vida (há 3 ou 4 mil milhões de anos) estavam provavelmente a água, o dióxido de carbono, o metano e a amónia. Os químicos têm tentado imitar essas condições, colocando essas substâncias num balão e aplicando-lhes uma fonte de energia (luz ultravioleta ou descarga eléctrica — simulação de relâmpagos). Passadas algumas semanas encontram no balão moléculas mais complexas do que as originais: aminoácidos (blocos da construção de proteínas), purinas e pirimidinas - blocos da construção do ADN (ácido desoxirribonucleico).
Em dado momento formou-se, por causas ainda obscuras, uma molécula capaz de criar cópias de si mesma: um "replicador", que actuava como modelo, no caldo rico nos blocos moleculares necessários à formação de cópias.
Surgiram entretanto vários replicadores que competiam entre si pelos tais blocos. As variedades menos favorecidas ter-se-ão extinguido. As que sobreviveram construíram "máquinas de sobrevivência" dentro das quais pudessem viver. Actualmente os replicadores são os genes e as "máquinas de sobrevivência" somos nós! O gene é uma "entidade molecular" de extraordinária estabilidade — só assim se justifica a sua sobrevivência. Essa estabilidade de moléculas e agregados só se pode explicar pela ligação química e pelas interacções intermoleculares (e.g., ADN = 2 hélices enroladas uma sobre a outra!). A teoria que explica a ligação química e estabilidade das moléculas é a teoria QUÂNTICA.
A descoberta da síntese da ureia em 1828 por Friedrich Woehler, a partir do cianato de amónio (sal inorgânico) derrubou a teoria de que os compostos orgânicos só poderiam ser sintetizados pelos organismos vivos (teoria da força vital).
Em 1922 o cientista russo Oparin sugeriu que a vida da célula foi precedida de um período de evolução química.
Em 1953, Stanley Miller (na Universidade de Chicago), então com 23 anos, realizou uma experiência que ficou célebre: colocou num reactor (balão), uma mistura de amónia, hidrogénio e vapor de água (a que se chamou depois, a sopa primitiva). Queria assim simular a atmosfera primitiva. Depois de selar o reactor, provocou sucessivas descargas eléctricas no seu interior. Duas semanas depois (e muitas descargas) o líquido começou a mudar de cor. Quando o analisou encontrou pelo menos dois aminoácidos: a alanina e a glicina. As interacções entre estas moléculas poderiam levar à formação de moléculas mais complexas. A formação de ácidos nucleicos poderia ser um indício de vida pré-celular. De facto, em experiências posteriores (com outros reagentes inorgânicos simples) foram detectados ácidos nucleicos. A adenina poderia ser obtida a partir da polimerização de cianeto (que se poderia facilmente formar numa atmosfera primitiva). A adenina e outras bases poderiam, na presença de ácidos nucleicos, auto-organizar-se e formar hélices. Eventualmente, estes elementos pré-celulares poderiam ser envolvidos por uma membrana (lípido-proteína) dando origem a células primitivas.
A descoberta da síntese da ureia em 1828 por Friedrich Woehler, a partir do cianato de amónio (sal inorgânico) derrubou a teoria de que os compostos orgânicos só poderiam ser sintetizados pelos organismos vivos (teoria da força vital).
Em 1922 o cientista russo Oparin sugeriu que a vida da célula foi precedida de um período de evolução química.
Em 1953, Stanley Miller (na Universidade de Chicago), então com 23 anos, realizou uma experiência que ficou célebre: colocou num reactor (balão), uma mistura de amónia, hidrogénio e vapor de água (a que se chamou depois, a sopa primitiva). Queria assim simular a atmosfera primitiva. Depois de selar o reactor, provocou sucessivas descargas eléctricas no seu interior. Duas semanas depois (e muitas descargas) o líquido começou a mudar de cor. Quando o analisou encontrou pelo menos dois aminoácidos: a alanina e a glicina. As interacções entre estas moléculas poderiam levar à formação de moléculas mais complexas. A formação de ácidos nucleicos poderia ser um indício de vida pré-celular. De facto, em experiências posteriores (com outros reagentes inorgânicos simples) foram detectados ácidos nucleicos. A adenina poderia ser obtida a partir da polimerização de cianeto (que se poderia facilmente formar numa atmosfera primitiva). A adenina e outras bases poderiam, na presença de ácidos nucleicos, auto-organizar-se e formar hélices. Eventualmente, estes elementos pré-celulares poderiam ser envolvidos por uma membrana (lípido-proteína) dando origem a células primitivas.
É, então, possível criar um ser vivo artificial a partir de matéria inorgânica?
A experiência de Miller levou à ideia de criar vida artificial. Tem havido muitas tentativas. David W. Deamer, por exemplo, da Universidade da Califórnia, Santa Cruz, lançou a ideia de criar uma "protocélula" (célula primitiva) há cerca de 30 anos. Segundo ele, a protocélula deveria satisfazer 12 requisitos, nomeadamente, ter uma membrana que capta energia, manter gradientes de concentração de iões, confinar macromoléculas e dividir-se. As macromoléculas devem poder crescer por polimerização, evoluir, armazenar informação, ter a possibilidade de sofrer mutações, promover o crescimento de polímeros catalíticos. Vários laboratórios já conseguiram alguns destes requisitos, mas ainda faltam dois: i) a célula deve conter genes e enzimas que podem ser replicados e ii) esses genes devem ser partilhados entre as células filhas. David W. Deamer espera que, brevemente, seja possível atingir estes objectivos, talvez através de uma enzima que se duplique, e actue simultaneamente como material genético e catalisador.
Albert Libchaber, da Rockefeller University, sintetizou um plasmódio (célula com vários núcleos, formada através da divisão de um núcleo inicial) que gera proteínas e as coloca em sacos de membranas.Estas células (que funcionam) sobrevivem por 4 dias, mas não conseguiu que se reproduzissem. Em Junho de 2007 apareceu nos media (e. g., BBC News) uma notícia que deixou muito boa gente estupefacta: um grupo de cientistas submeteu um pedido de patente para um método de criar um "organismo sintético". O pedido de patente, do Instituto J. Craig Venter, reclama propriedade exclusiva de um conjunto de genes e de um organismo sintético vivo, que pode crescer e replicar-se, feito a partir desses genes.
O termo "BIOLOGIA SINTÉTICA" apareceu pela primeira vez no título de um artigo na revista NATURE em 1913, mas desapareceu até 1980, altura em que é aplicado no mesmo sentido que a tecnologia do ADN recombinante. Hoje em dia, o termo é usado para descrever a engenharia de circuitos genéticos, genomas e mesmo organismos. A definição de biologia sintética é ilusiva, com o é a definição de "vida" diz Vincent Noireaux, professor de física da Universidade de Minnesota. Há ainda muitas questões fundamentais a resolver.
A vida parece ser comportamento ordenado da matéria, não baseado na tendência para passar da ordem à desordem (Segundo Princípio da Termodinâmica), mas sim na ordem existente, que se perpetua, ou mesmo na passagem da desordem à ordem (por auto-organização ou self-assembly). Mas sobre isso dissertarei noutra altura.
Luís Alcácer
Comunicação: de Ciência e entre Bactérias!
A Investigadora do IBMC-INEB Maria João Fonseca foi finalista do concurso FameLab do Ciência Viva, e a sua apresentação fala-nos da comunicação entre bactérias (o quorum-sensing).
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