domingo, 9 de outubro de 2011

Padre Luís Archer, Cientista em Genética Molecular (1929-2011)

   O Padre e Biólogo Luís Archer faleceu aos 85 anos. Natural do Porto, com formação teológica e científica, faz-nos refletir sobre a (in)compatibilidade das duas áreas de actividade humana. 
   Segue-se um excerto da notícia no Jornal Público. Uma entrevista completa, em 2006, com Archer, aqui.


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  Luís Archer era natural do Porto, mas viveu grande parte da vida em Lisboa. O biólogo nasceu a 5 de Maio de 1928, e aos 21 anos entrou para a Companhia de Jesus.

  Entre 1943 e 1960 completou as licenciaturas em ciência biológicas, filosofia e depois teologia. Apesar de ter terminado o curso em biologia com uma média de 18, Luís Archer queria dedicar-se às humanidades. Mas foi o seu superior, o padre Lúcio Craveiro da Silva, que pediu para prosseguir na biologia, já que tinha um currículo nessa disciplina e havia poucos jesuítas especialistas em ciências.

  Archer escolheu então a genética molecular, uma área que na década de 1960 era o futuro. “Fui para os Estados Unidos, tive muita dificuldade no princípio. Tinham passado 15 anos após a minha licenciatura. O que eu não tinha esquecido já não era igual. Mas pensei: tem que ser a sério e tem que ser uma matéria que sirva o país”, explicou numa entrevista ao PÚBLICO dada em 2006.

  Terminou o doutoramento nos Estados Unidos e voltou para Portugal, onde teve que repetir o doutoramento, na Faculdade de Ciências do Porto, já que na altura não havia equivalências.

  Em 1971 inicia os trabalhos científicos no Laboratório de Genética Molecular no Instituto Gulbenkian de Ciências, onde permanece durante 20 anos. É nesta altura que introduz o estudo da genética molecular na Universidade portuguesa. No laboratório estuda o processo de transformação nas bactérias, onde existe transferência de material genético de uma bactéria para a outra.

  O interesse pela evolução do conhecimento científico e a capacidade crescente da tecnologia transformar a natureza faz com que se envolva em temas como a bioética. Entre 1996 e 2001 assume a presidência do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida. Ao longo das décadas lança vários livros sobre ciência e bioética, o último em 2006, intitulado “Da Genética à Bioética”.

  Sobre a evolução científica, iria dizer em 2006, quando recebeu o prémio Manuel Antunes, aos 80 anos, que a tecnociência é “indispensável para o progresso das civilizações, mas não se pode tornar um absoluto”. Na entrevista ao PÚBLICO apesar de defender que a ciência estava mais humilde do que no passado, Archer revelava uma preocupação em relação à corrente do trans-humanismo – a ideia que o homem é uma máquina e que é possível aperfeiçoá-la: “O homem acabará com os sentimentos e os afectos, e será reduzido a reacções químicas e a potenciais eléctrodos que podem ser inseridos no indivíduo. (…) É muito funda no ser humano [a ideia de] mecanizar, reduzir todo o fenómeno humano a equações, a química, fórmulas, traços.”
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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Eurobarómetro - Preocupações dos cidadãos Europeus com o clima


Notícia saída hoje, no Público. 


Estaremos a viver uma época de sobre-informação, mas pouco significativa ou pouco eficaz na chegada aos cidadãos?


Portugueses são os que menos vêm o clima como o maior problema mundial



Apenas sete por cento da população – um em cada 14 residentes – acha que se trata do mais sério problema que a humanidade está neste momento a enfrentar e 28 por cento dizem que é um dos três maiores problemas actuais. A média da União Europeia é de 20 por cento e 51 por cento, respectivamente.

Entrevistados em Junho de 2011, os europeus colocaram as alterações climáticas em segundo lugar na lista das suas preocupações, apenas atrás da pobreza, fome e falta de acesso a água.

Portugal é um dos países que mais se afasta deste padrão. A pobreza também está no topo, com 44 por cento dos portugueses a dizer que este é o principal problema actual. Mas depois surge a situação económica, com 25 por cento, seguida do terrorismo, com nove por cento. As alterações climáticas ficam em quarto lugar.

O anterior Eurobarómetro sobre a atitude dos europeus quanto ao aquecimento global tinha sido realizado há dois anos, em Agosto-Setembro de 2009, pouco antes da mediática conferência climática das Nações Unidas, em Copenhaga. Na altura, também não tinha ainda estalado a polémica sobre os emails roubados de uma universidade britânica, que alegadamente revelavam procedimentos incorrectos de climatologistas – no que ficou conhecido como o caso Climategate.

Passados dois anos, as alegadas dúvidas lançadas pelo Climategate sobre a ciência parecem não ter tido reflexo no nível de preocupação dos cidadãos. Mesmo que metade dos europeus não coloquem as alterações climáticas a liderar a lista dos males globais, cerca dois terços (68 por cento) acham que se trata de um problema “muito sério”, contra 64 por cento em 2009. Em Portugal, este valor até sobe para os 75 por cento – ou seja, os portugueses preocupam-se com o aquecimento global, mas acham que há problemas mais relevantes neste momento.

A crise económica é um deles. Em 2009, dez por cento dos portugueses apontavam o recuo da economia como o principal problema mundial, contra 25 por cento agora.

Quanto à contribuição individual de cada um para resolver o problema, a maior parte dos portugueses (56 por cento) diz que separa o lixo para reciclagem, 29 por cento evitam produtos descartáveis, como sacos plásticos de supermercado, e 14 por cento dão preferência a produtos locais. O carro, este, não é visto no país como uma arma para combater o aquecimento global. Só um por cento dos inquiridos no país admitem que isto pesou na hora de escolher um novo automóvel.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

The Sagan Series

   Com textos e locução do grande cientista e divulgador de Ciência, Carl Sagan (1934-1996): The Sagan Series (ver série completa)

                                                                        Episódio 1: The frontier is everywhere

Texto de opinião de Helena Damião: Exemplos que dão ânimo (Prémios em Olimpíadas obtidos por alunos portugueses)

   Reproduz-se aqui o texto de Helena Damião, publicado no De Rerum Natura:


   As medalhas (mais uma vez) conquistadas pelos alunos portugueses na Olimpíadas da Física confirmam o que o Programa Internacional de Avaliação dos Alunos (PISA) tem vindo a revelar nas suas diversas passagens (2000, 2003, 2006 e 2009): o nosso sistema de ensino tem núcleos de excelência.

   De facto, a média dos resultados académicos obtida pelos melhores estudantes do nosso país é melhor do que a média dos resultados académicos obtida pelos melhores estudantes dos diversos países participantes, nomeadamente dos que pertencem à OCDE.

   Na mesma lógica estatística, o problema é que a percentagem de alunos com resultados académicos muito baixos é elevadíssima.

   Há que trabalhar tanto para uns como para outros, se queremos que uns se mantenham no topo e outros se aproximem o mais possível dele, sendo que, neste particular, há muito a fazer.

   Mas são exemplos destes - de alunos e de professores - que motivam, que nos dão ânimo para continuar.

Luis Walter Alvarez: Física, Pirâmides do Egito e Dinossauros

   Luis Walter Alvarez, Físico e Prémio Nobel em 1968,  debruçou-se sobre a extinção dos Dinossauros com o seu filho Walter e ainda sobre a morte do presidente dos EUA, J.F. Kennedy. Difícil de ver a ligação entre os assuntos? Ora então leiam o artigo de Carlos Fiolhais (em De Rerum Natura)

    Qual é a relação entre dinossauros, pirâmides e JFK? Pois o norte-americano Luis Walter Alvarez, Prémio Nobel da Física de 1968, estudou estes três assuntos. Ele ganhou o Nobel pela descoberta de partículas elementares usando câmaras de bolhas. Mas a revista “American Journal of Physics” de Novembro último (da Associação Americana de Professores de Física) informa-nos sobre os esforços bem sucedidos de Alvarez para resolver enigmas na paleontologia, na história antiga e na história moderna.

A ideia da extinção dos dinossauros por um acidente cósmico é hoje bem conhecida. Foi precisamente Luis Alvarez, em conjunto com o seu filho geólogo (Walter como o pai, mas sem o Luís), quem formulou em 1980, com       base na descoberta de traços de irídio nos estratos entre o Cretácico e o Terciário (actual Paleogénico), a hipótese de que a extinção dos dinossauros se teria devido ao impacte de um grande meteoro. Uma grande cratera foi encontrada no México dez anos mais tarde...

                                             LW Alvarez e o filho Walter, junto da camada de Irídio descoberta em Itália 

Falava-se de uma câmara oculta no interior da pirâmide de Quéfren, no Cairo. Para a localizar Luis Alvarez colocou um detector de raios cósmicos numa câmara conhecida por baixo da pirâmide. O que ele fez não foi mais do que tirar uma espécie de radiografia à pirâmide, mas usando muões naturais em vez de raios X. A partir da observação das partículas recolhidas concluiu que a tal câmara secreta não passava de um boato.

Finalmente, e para investigar a teoria conspirativa segundo a qual havia um segundo atirador a disparar, em Dallas, sobre o presidente Kennedy, analisou um filme da passagem do carro presidencial. Havia quem dissesse que um tiro dado de frente teria feito recuar a cabeça do presidente. Mas Alvarez, com base na observação dos “frames” (não esqueçamos que era um especialista em chapas fotográficas para registar partículas) e nas leis da física desmentiu categoricamente essa hipótese do segundo atirador.

Qual é a moral destas histórias? Quem sabe ciência fundamental, que parece inútil, é capaz de fazer a melhor ciência aplicada, que é muito útil!

domingo, 2 de outubro de 2011

Arte e Ciência: a prova da comunhão entre saberes

   Arte e Ciência podem conviver. E há quem promova esse convívio, desmontando a ideia de que as áreas do saber são estanques. Há método na Arte e criatividade na Ciência!
 

Há um artista no laboratório onde se estuda o cancro

Fotógrafo Pedro Barbosa aceitou o desafio de transformar o Ipatimup no seu próprio laboratório criativo


Ver notícia completa e vídeo em P3




   

sábado, 1 de outubro de 2011

Sobre Conhecimento Científico e Conhecimento do Senso Comum

   Alguns leitores reconhecerão esta valorização do conhecimento construído em contexto extra-escola para o que se ensina-aprende na Escola! 

   Uma palestra TED sobre Ciência e Educação em Ciência. A importância dos modelos que construímos acerca do Mundo e como é difícil reconstruí-los em contexto de educação formal. 


   Serve como apelo a Educadores e chamada de atenção de Educandos, mas são bem-vindas opiniões divergentes!



     Poderão ainda assistir ao vídeo aqui, com possibilidade de o legendar em Português do Brasil.