Aproxima-se mais uma Noite Europeia dos Investigadores!
Na próxima sexta-feira, dia 23 de Setembro, na Reitoria da Universidade do Porto (Praça dos Leões) + Planetário do Porto e na Escola Pires de Lima (Heroísmo), haverá experiências, apresentações e espectáculos ligados às Ciências. Desde as 15 h e até às 24h, há sempre algo que ver, ouvir, mexer ou sentir!
Aqui, o programa da NEI na Reitoria da UP+Planetário do Porto e aqui o programa da NEI na Pires de Lima.
Para os Alunos do Secundário, está aberto um concurso até dia 22 com um IPad como prémio: vejam mais em Mural dos Cientistas
Até lá!
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Onde Nasceu a Ciência e o Juízo?
MOTE
— Onde nasceu a ciência?...
— Onde nasceu o juízo?...
Calculo que ninguém tem
Tudo quanto lhe é preciso!
GLOSAS
Onde nasceu o autor
Com forças p'ra trabalhar
E fazer a terra dar
As plantas de toda a cor?
Onde nasceu tal valor?...
Seria uma força imensa
E há muita gente que pensa
Que o poder nos vem de Cristo;
Mas antes de tudo isto,
Onde nasceu a ciência?...
De onde nasceu o saber?...
Do homem, naturalmente.
Mas quem gerou tal vivente
Sem no mundo nada haver?
Gostava de conhecer
Quem é que formou o piso
Que a todos nós é preciso
Até o mundo ter fim...
Não há quem me diga a mim
Onde nasceu o juízo?...
Sei que há homens educados
Que tiveram muito estudo.
Mas esses não sabem tudo,
Também vivem enganados;
Depois dos dias contados
Morrem quando a morte vem.
Há muito quem se entretém
A ler um bom dicionário...
Mas tudo o que é necessário
Calculo que ninguém tem.
Ao primeiro homem sabido,
Quem foi que lhe deu lições
P'ra ter habilitações
E ser assim instruído?...
Quem não estiver convencido
Concorde com este aviso:
— Eu nunca desvalorizo
Aquel' que saber não tem,
Porque não nasceu ninguém
Com tudo quanto é preciso!
António Aleixo, in "Este Livro que Vos Deixo..."
— Onde nasceu a ciência?...
— Onde nasceu o juízo?...
Calculo que ninguém tem
Tudo quanto lhe é preciso!
GLOSAS
Onde nasceu o autor
Com forças p'ra trabalhar
E fazer a terra dar
As plantas de toda a cor?
Onde nasceu tal valor?...
Seria uma força imensa
E há muita gente que pensa
Que o poder nos vem de Cristo;
Mas antes de tudo isto,
Onde nasceu a ciência?...
De onde nasceu o saber?...
Do homem, naturalmente.
Mas quem gerou tal vivente
Sem no mundo nada haver?
Gostava de conhecer
Quem é que formou o piso
Que a todos nós é preciso
Até o mundo ter fim...
Não há quem me diga a mim
Onde nasceu o juízo?...
Sei que há homens educados
Que tiveram muito estudo.
Mas esses não sabem tudo,
Também vivem enganados;
Depois dos dias contados
Morrem quando a morte vem.
Há muito quem se entretém
A ler um bom dicionário...
Mas tudo o que é necessário
Calculo que ninguém tem.
Ao primeiro homem sabido,
Quem foi que lhe deu lições
P'ra ter habilitações
E ser assim instruído?...
Quem não estiver convencido
Concorde com este aviso:
— Eu nunca desvalorizo
Aquel' que saber não tem,
Porque não nasceu ninguém
Com tudo quanto é preciso!
António Aleixo, in "Este Livro que Vos Deixo..."
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
A História da Vida feita Poema
Earth and meteorites, volcanoes then sea,
Single-celled life then came to be.
Animals with shells, then fish in the sea,
Land plants, amphibians came next, you see.
Reptiles, dinosaurs, mammals came along,
Birds flew in the sky with their new song.
Plants with flowers, then grasses were next to be
Then us, humans, you and me.
Fonte: www.earthlearningidea.com, actividade A time-line in your own backyard
“Bartolomeu Lourenço de Gusmão - o padre inventor” - Edição no Brasil
Foi, recentemente, lançado no Brasil o livro “Bartolomeu Lourenço de Gusmão - o padre inventor” que reúne documentação manuscrita existente na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra sobre o referido sacerdote e cientista, bem como documentos da sua própria autoria. A edição exibe fac-símiles desses vários documentos e textos do notável físico português Carlos Fiolhais.
“Três, se não quatro, vidas diferentes tem o padre Bartolomeu Lourenço, e uma só apenas quando dorme, que mesmo no sonho foi o padre que sobe ao altar e diz canonicamente a missa, se o académico tão estimado que vai incógnito el-rei ouvir-lhe a oração por trás do reposteiro, no vão da porta, se o inventor da máquina de voar ou dos vários modos esgotar sem gente as naus que fazem água, se esse outro homem conjunto, mordido de sustos e dúvidas, que é pregador na igreja, erudito na academia, cortesão no paço, visionário e irmão de gente mecânica e plebeia em S. Sebastião da Pedreira, e que torna ansiosamente ao sonho para reconstruir uma frágil, precária unidade, estilhaçada mal os olhos se lhe abrem, nem precisa estar em jejum como Blimunda.” (Memorial do Convento, 33ª edição, Caminho).
É assim que, em Memorial do Convento, Saramago nos apresenta a figura de Bartolomeu Lourenço de Gusmão como o “padre voador” que, apesar de ser considerado louco (e “de louco todos temos um pouco”), não abandonou o seu sonho de voar – “Tenho sido a risada da corte e dos poetas, um deles, Tomás Pinto Brandão, chamou ao meu invento coisa de vento que se há-de acabar cedo, se não fosse a protecção de el-rei não sei o que seria de mim, mas el-rei acreditou na minha máquina e tem consentido que, na quinta do duque Aveiro, a S. Sebastião da Pedreira, eu faça os meus experimentos” (Memorial do Convento, 33ª edição, Caminho, p.64). Mais adiante, no romance, o narrador recria o real, através da sua imaginação criadora e relembra o voo experimental da passarola, ao mesmo tempo que se apropria da voz do seu inventor – “e assim pôde ver afastar-se a terra a uma velocidade incrível, já mal se distinguia a quinta, logo perdida entre colinas, e aquilo além, que é, Lisboa, claro está, e o rio, oh, o mar, aquele mar por onde eu, Bartolomeu Lourenço de Gusmão, vim por duas vezes do Brasil, o mar por onde viajei à Holanda, a que mais continentes da terra e do ar me levarás tu, máquina, o vento ruge-me aos ouvidos, nunca ave alguma subiu tão alto, se me visse el-rei, se me visse aquele Tomás Pinto Brandão que se riu de mim em verso, se o Santo Ofício me visse, saberiam todos que sou filho predilecto de Deus, eu sim, eu que estou subindo ao céu por obra do méu génio, por obra também dos olhos de Blimunda, se haverá no céu olhos como eles, por obra da mão direita de Baltasar, aqui te levo, Deus, um que também não tem a mão esquerda, Blimunda, Baltasar, venham ver, levantem-se daí, não tenham medo.” (p.198)
Para alargar os conhecimentos sobre a recente obra publicada e a história deste padre inventor, podem aceder aqui.
Este artigo foi enviado pela Professora Auxília Ramos, a quem agradecemos a colaboração neste Blog, que, sendo das Ciências e Tecnologias, é de tantos quantos queiram participar desta experiência, da divulgação da ciência, da palavra, do trabalho colaborativo.
domingo, 4 de setembro de 2011
Evolução e o seu Ensino - polémica antiga nos EUA
Na continuação do post O que diriam os Macacos?, do passado dia 29 de Julho de 2011 sobre Evolução, deixamos aqui um vídeo que explica, de forma resumida, a polémica que se desencadeou no Ensino das Ciências Naturais, nos EUA, nos anos 1920 e que é tradicionalmente simbolizada pela chamado Julgamento de Scopes.
Deve ser tido em atenção:
1- esta polémica é actual: já nos anos 2000, outros dois episódios envolveram o Ensino da Evolução nos EUA;
2- o surgimento e crescimento de teorias pseudo-científicas para explicar a origem das espécies não é exclusivo dos EUA, nem tão pouco o crescendo de adeptos destas mesmas explicações que misturam crenças e dados científicos: daí também o interesse em conhecer a história e estar preparado para a discussão;
3- o poder das imagens é imenso (valem mais do que mil palavras!): a espécie humana a que todos pertencemos Homo sapiens sapiens não surgiu do chimpanzé Pan troglodytes ou do gorila Gorilla gorilla; antes partilhamos um antepassado relativamente recente (5 milhões de anos), daí as imensas parecenças, em particular ao nível do material genético ou DNA (98% de semelhança). interessante será perceber como os restantes 2% no genótipo (informação nos genes) podem traduzir-se em tantas diferenças de fenótipo (manifestação das características, dependente do genótipo e do ambiente). daí a simplificação e origem de tantos mal-entendidos quando se utiliza a representação do Homem a surgir do Macaco, por evolução;
4- mais se falará sobre este assunto neste blog (recentemente, esta questão foi colocada às candidatas a Miss USA. imaginam as respostas?!).
Para concluir, e para lançar a discussão, parece-nos bastante mais produtivo a disponibilidade para perceber que tipo de argumentos são utilizados por cada uma das partes interessadas (stakeholders) e assumir, à partida, a distinção entre dados e teorias científicos e crenças, religiosas ou de outro tipo. Desta forma, a discussão será produtiva e o conhecimento poderá... evoluir!
Deve ser tido em atenção:
1- esta polémica é actual: já nos anos 2000, outros dois episódios envolveram o Ensino da Evolução nos EUA;
2- o surgimento e crescimento de teorias pseudo-científicas para explicar a origem das espécies não é exclusivo dos EUA, nem tão pouco o crescendo de adeptos destas mesmas explicações que misturam crenças e dados científicos: daí também o interesse em conhecer a história e estar preparado para a discussão;
3- o poder das imagens é imenso (valem mais do que mil palavras!): a espécie humana a que todos pertencemos Homo sapiens sapiens não surgiu do chimpanzé Pan troglodytes ou do gorila Gorilla gorilla; antes partilhamos um antepassado relativamente recente (5 milhões de anos), daí as imensas parecenças, em particular ao nível do material genético ou DNA (98% de semelhança). interessante será perceber como os restantes 2% no genótipo (informação nos genes) podem traduzir-se em tantas diferenças de fenótipo (manifestação das características, dependente do genótipo e do ambiente). daí a simplificação e origem de tantos mal-entendidos quando se utiliza a representação do Homem a surgir do Macaco, por evolução;
4- mais se falará sobre este assunto neste blog (recentemente, esta questão foi colocada às candidatas a Miss USA. imaginam as respostas?!).
Para concluir, e para lançar a discussão, parece-nos bastante mais produtivo a disponibilidade para perceber que tipo de argumentos são utilizados por cada uma das partes interessadas (stakeholders) e assumir, à partida, a distinção entre dados e teorias científicos e crenças, religiosas ou de outro tipo. Desta forma, a discussão será produtiva e o conhecimento poderá... evoluir!
sábado, 13 de agosto de 2011
O litoral alterado pelas acções humanas
As fotos que se seguem foram tiradas na Praia do Camarido, em Caminha. Para além do óbvio valor estético, poderão representar um fenómeno associado ao litoral e a que deveremos estar atentos: principalmente em período de veraneio, nas nossas praias, todos podemos (facilmente) contribuir para aumentar estes 'danos ecológicos', mas também, com actos simples, dar uma ajuda para restabelecer o equilíbrio ecológico destas paisagens.
Fotos: Prof. Auxília Ramos
De que fenómeno estaremos a falar? Que consequências poderá ter? O que pode contribuir para aumentar este efeito e o que podemos fazer para o minimizar?
Aguardam-se comentários! Em breve, publicaremos as respostas às questões lançadas como desafio e quaisquer ideias/opiniões que surjam sobre este assunto!
terça-feira, 9 de agosto de 2011
A Água é nossa - Boaventura de Sousa Santos
Aqui se reproduz um artigo de opinião do Sociólogo Boaventura de Sousa Santos (Visão, 4 de Agosto 2011) acerca de um tema universal e sobre o qual devemos urgentemente reflectir: a água e o acesso a este recurso vital.
Esta reflexão surge da proposta, pelo Governo, de privatização do grupo Águas de Portugal: Considerando o acesso a água de qualidade um direito fundamental, não será esta uma medida anacrónica e contrária à ideia de Estado Social? Em quantos euros se traduzirá esta medida de redução da dívida?
As privatizações são o objectivo central do governo. Porquê esta centralidade; se as receitas que elas geram são uma migalha da dívida? Porque o verdadeiro objectivo delas é destruir o Estado Social, eliminar a ideia de que o Estado deve ter, como função primordial, garantir níveis decentes e universais de protecção social.
Esta reflexão surge da proposta, pelo Governo, de privatização do grupo Águas de Portugal: Considerando o acesso a água de qualidade um direito fundamental, não será esta uma medida anacrónica e contrária à ideia de Estado Social? Em quantos euros se traduzirá esta medida de redução da dívida?
As privatizações são o objectivo central do governo. Porquê esta centralidade; se as receitas que elas geram são uma migalha da dívida? Porque o verdadeiro objectivo delas é destruir o Estado Social, eliminar a ideia de que o Estado deve ter, como função primordial, garantir níveis decentes e universais de protecção social.
Sujeitar os serviços públicos à lógica do mercado implica transformar cidadãos com direitos em consumidores com necessidades que se satisfazem no mercado. Cada um consome segundo as próprias posses. Para os indigentes, o Estado e as organizações de caridade garantem mínimos de subsistência. Mesmo assim, há privatizações e privatizações, e a privatização da água é a mais escandalosa de todas porque ela põe em causa o próprio direito à vida.
A água é um bem comum da humanidade e o direito à água potável um direito fundamental. Um direito de que está privada cerca de um quarto da população mundial (1,5 mil milhões de pessoas). Todos os dias morrem 30 mil pessoas por doenças provocadas pela falta de água potável. As alterações climáticas fazem prever que este problema se agravará nas próximas décadas. Considerando que quase metade da população mundial vive com menos de dois dólares por dia, e, por isso, sem condições para aceder ao mercado da água, tudo recomendaria que as medidas para garantir o acesso à água fossem orientadas pela ideia do direito fundamental e não pela ideia da necessidade básica.
Apesar disso, desde a década de 1980, a onda neoliberal fez com que muitos países privatizassem os sistemas de água. As consequências foram desastrosas: as tarifas subiram mais de 20 por cento; o investimento na manutenção das infra-estruturas diminuiu; a qualidade da água piorou; as poucas multinacionais que controlam o mercado mundial, ao preferirem as empresas do seu grupo, levaram à falência as empresas municipais; houve conflitos violentos (por exemplo, na África do Sul) quando a empresa fechou as torneiras a quem não pagava as contas; foram denunciadas cláusulas danosas nos contratos, conflitos de interesses e corrupção. Perante isto, os cidadãos de muitos países e cidades organizaram-se para impedir a privatização ou para lutar contra ela. Ficou famosa «a guerra da água» em Cochabamba (2000); em vários países, as lutas populares mudaram as Constituições para garantir a água como bem público; iniciativas de cidadãos levaram à substituição das parcerias público-privadas por parcerias público-públicas (entre governos centrais, regionais e municipais).
Este movimento não se confinou ao mundo menos desenvolvido. Por toda a Europa cresce o movimento contra a privatização da água e ele é forte nos países que tutelam hoje a política portuguesa, a França e a Alemanha. Ao fim de 25 anos, Paris remunicipalizou a gestão da água em 1 de Janeiro de 2010. O mesmo se passou com Grenoble mobilizada pela inovadora associação Eau Secours. Na Alemanha numerosas cidades estão a remunicipalizar a gestão da água, e Berlim não quer esperar por 2008 para terminar a concessão à multinacional francesa Veolia.
Por tudo isto, o mercado da água entrou em refluxo. Assim se explica que a privatização da água não conste do menu de privatizações da troika. Não é a primeira vez nem será a última que uma política considerada inovadora pelo governo português, é, de facto, uma política anacrónica, fora de tempo.
Mas como a cartilha deste governo tem uma lógica temporal muito própria (varrer da memória dos portugueses o 25 de Abril e o Estado Social que ele promoveu) não é de esperar que ele se envergonhe do seu anacronismo. Só os portugueses o poderão travar através de lutas de democracia directa e participativa, tais como protestos, organizações cívicas, petições, referendos, e da litigação judicial. Para eles, sim, será importante saber que a luta contra a privatização da água tem tido uma elevada taxa de êxito. O grupo Águas de Portugal não é um bom exemplo de gestão mas a solução não é privatizá-lo; é refundá-lo.
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