sábado, 13 de agosto de 2011

O litoral alterado pelas acções humanas

   As fotos que se seguem foram tiradas na Praia do Camarido, em Caminha. Para além do óbvio valor estético, poderão representar um fenómeno associado ao litoral e a que deveremos estar atentos: principalmente em período de veraneio, nas nossas praias, todos podemos (facilmente) contribuir para aumentar estes 'danos ecológicos', mas também, com actos simples, dar uma ajuda para restabelecer o equilíbrio ecológico destas paisagens.


Fotos: Prof. Auxília Ramos

   De que fenómeno estaremos a falar? Que consequências poderá ter? O que pode contribuir para aumentar este efeito e o que podemos fazer para o minimizar? 

   Aguardam-se comentários! Em breve, publicaremos as respostas às questões lançadas como desafio e quaisquer ideias/opiniões que surjam sobre este assunto!

terça-feira, 9 de agosto de 2011

A Água é nossa - Boaventura de Sousa Santos

   Aqui se reproduz um artigo de opinião do Sociólogo Boaventura de Sousa Santos (Visão, 4 de Agosto 2011) acerca de um tema universal e sobre o qual devemos urgentemente reflectir: a água e o acesso a este recurso vital.


   Esta reflexão surge da proposta, pelo Governo, de privatização do grupo Águas de Portugal: Considerando o acesso a água de qualidade um direito fundamental, não será esta uma medida anacrónica e contrária à ideia de Estado Social? Em quantos euros se traduzirá esta medida de redução da dívida? 


   As privatizações são o objectivo central do governo. Porquê esta centralidade; se as receitas que elas geram são uma migalha da dívida? Porque o verdadeiro objectivo delas é destruir o Estado Social, eliminar a ideia de que o Estado deve ter, como função primordial, garantir níveis decentes e universais de protecção social.

  Sujeitar os serviços públicos à lógica do mercado implica transformar cidadãos com direitos em consumidores com necessidades que se satisfazem no mercado. Cada um consome segundo as próprias posses. Para os indigentes, o Estado e as organizações de caridade garantem mínimos de subsistência. Mesmo assim, há privatizações e privatizações, e a privatização da água é a mais escandalosa de todas porque ela põe em causa o próprio direito à vida.

  A água é um bem comum da humanidade e o direito à água potável um direito fundamental. Um direito de que está privada cerca de um quarto da população mundial (1,5 mil milhões de pessoas). Todos os dias morrem 30 mil pessoas por doenças provocadas pela falta de água potável. As alterações climáticas fazem prever que este problema se agravará nas próximas décadas. Considerando que quase metade da população mundial vive com menos de dois dólares por dia, e, por isso, sem condições para aceder ao mercado da água, tudo recomendaria que as medidas para garantir o acesso à água fossem orientadas pela ideia do direito fundamental e não pela ideia da necessidade básica.

  Apesar disso, desde a década de 1980, a onda neoliberal fez com que muitos países privatizassem os sistemas de água. As consequências foram desastrosas: as tarifas subiram mais de 20 por cento; o investimento na manutenção das infra-estruturas diminuiu; a qualidade da água piorou; as poucas multinacionais que controlam o mercado mundial, ao preferirem as empresas do seu grupo, levaram à falência as empresas municipais; houve conflitos violentos (por exemplo, na África do Sul) quando a empresa fechou as torneiras a quem não pagava as contas; foram denunciadas cláusulas danosas nos contratos, conflitos de interesses e corrupção. Perante isto, os cidadãos de muitos países e cidades organizaram-se para impedir a privatização ou para lutar contra ela. Ficou famosa «a guerra da água» em Cochabamba (2000); em vários países, as lutas populares mudaram as Constituições para garantir a água como bem público; iniciativas de cidadãos levaram à substituição das parcerias público-privadas por parcerias público-públicas (entre governos centrais, regionais e municipais).

  Este movimento não se confinou ao mundo menos desenvolvido. Por toda a Europa cresce o movimento contra a privatização da água e ele é forte nos países que tutelam hoje a política portuguesa, a França e a Alemanha. Ao fim de 25 anos, Paris remunicipalizou a gestão da água em 1 de Janeiro de 2010. O mesmo se passou com Grenoble mobilizada pela inovadora associação Eau Secours. Na Alemanha numerosas cidades estão a remunicipalizar a gestão da água, e Berlim não quer esperar por 2008 para terminar a concessão à multinacional francesa Veolia.

  Por tudo isto, o mercado da água entrou em refluxo. Assim se explica que a privatização da água não conste do menu de privatizações da troika. Não é a primeira vez nem será a última que uma política considerada inovadora pelo governo português, é, de facto, uma política anacrónica, fora de tempo.

  Mas como a cartilha deste governo tem uma lógica temporal muito própria (varrer da memória dos portugueses o 25 de Abril e o Estado Social que ele promoveu) não é de esperar que ele se envergonhe do seu anacronismo. Só os portugueses o poderão travar através de lutas de democracia directa e participativa, tais como protestos, organizações cívicas, petições, referendos, e da litigação judicial. Para eles, sim, será importante saber que a luta contra a privatização da água tem tido uma elevada taxa de êxito. O grupo Águas de Portugal não é um bom exemplo de gestão mas a solução não é privatizá-lo; é refundá-lo.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

O que diriam os Macacos?

   A Teoria da Evolução segundo Darwin foi tornada pública em 1859 na sua obra A origem das Espécies (no original: On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or The Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life).

    Desde essa data, e até hoje, é uma ideia que gera controvérsia, em particular porque, na sequência d' A Origem das Espécies, Darwin publicou The Descent of Man, and Selection in Relation to Sex, onde defende que o Homem partilha um antepassado próximo com os primatas não humanos. Esta última ideia é muitas vezes re-interpretada como o Homem descende dos macacos, o que claramente não é coerente com a Teoria da Evolução por Selecção Natural, enunciada por Darwin.

   Muitas críticas foram feitas a Darwin ainda em vida, e desde então têm surgido manifestações de apoio e de desacordo relativamente a estas ideias, sob várias formas. Por curiosidade, reproduz-se aqui uma música de Dave Bartholomew, nascido em 1920 e representante vivo da música de New Orleans, que imaginou uma conversa entre macacos sobre a ascendência do Homem:

   Bunny Matthews resume assim a música The Monkey Speaks his Mind: “The basic premise of ‘The Monkey’ is that Darwin’s Theory of Natural Selection is faulty because no self-respecting monkey could possibly evolve into a creature as cruel, heartless, adulterous, murderous, and felonious as a human being. To the accompaniment of a distorted electric guitar, Bartholomew spits out his lyrics in disgust.” 



And three monkeys sat in a coconut tree
Discussing things as they are said to be
Said one to other now listen, you two
There’s a certain rumour that just can’t be true
That man descended from our noble race
Why, the very idea is a big disgrace, yeah

No monkey ever deserted his wife
Starved her baby and ruined her life

Yea, the monkey speaks his mind
And you’ve never known a mother monk
To leave her babies with others to bunk
And passed them on from one to another
‘Til they scarcely knew which was their mother

Yeah, the monkey speak his mind

And another thing you will never see
A monkey build a fence around a coconut tree
And let all the coconuts go to waste
Forbidding other monkeys to come and taste
Why, if I put a fence around this tree
Starvation would force you to steal from me

Yeah, the monkey speaks his mind

Here’s another thing a monkey won’t do
Go out on a night and get all in a stew
Or use a gun or a club or a knife
And take another monkey’s life
Yes, man descended, the worthless bum
But, brothers, from us he did not come

Yeah, the monkey speaks his mind
Yeah, now the monkey speaks his mind.

     Para breve, fica prometido um post com mais manifestações relativas à Teoria da Evolução segundo Darwin, nomeadamente um episódio histórico decisivo, nos EUA, para o ensino da Evolução nas escolas públicas: O Julgamento de Scopes, em 1925.



terça-feira, 26 de julho de 2011

    No dia em que foi noticiado que um investigador português foi premiado pelo seu trabalho na região inóspita (mas viva!) da Antárctida, um pequeno vídeo com uma mensagem clara: impedir a exploração de petróleo naquela região, que tem sido muito disputada politicamente por vários países, particularmente interessados naquele recurso geológico, essencial para o nosso modo de vida actual, mas finito e com grandes impactos na atmosfera e restantes subsistemas da Terra.

     
    O que vos apraz dizer sobre o tema?!

 

sábado, 23 de julho de 2011

Olimpíada de Biologia: Cerimónia de Entrega de Prémios da I Edição

    Como já tinha sido anunciado neste Blog, o Carlos Macedo Oliveira do 11º B do CLF foi um dos vencedores desta primeira edição das Olimpíadas de Biologia: classificou-se entre os 10 melhores alunos do 11º Ano!

    Desta forma, e com a companhia da família, o Carlos recebeu no passado dia 20 de Julho, no Pavilhão do Conhecimento (Ciência Viva), os parabéns e o prémio pela sua prestação brilhante nas duas provas.

    E ficou prometida a participação na próxima edição de forma a representar Portugal nas Olimpíadas Ibero-Americanasm mesmo que no próximo ano estas decorram bem perto... em Cascais! (Nota: A edição deste ano das Ibero-Americanas decorrerá na Costa Rica, e em 2013 decorrerá na Argentina)

    Algumas fotografias para documentar o dia e o evento:

 Carlos e Duarte no Museu Nacional de História Natural


 O Carlos e a sua família, no Auditório do Pavilhão do Conhecimento 




 
O Professor José Matos (Organização) e representantes da Ordem dos Biólogos e do Pavilhão do Conhecimento




O Carlos, já com o seu 'troféu' e um saco, bem pesado, de lembranças

Os Professores também subiram ao palco para representar as escolas vencedoras

Carlos Oliveira e Prof. André Rodrigues

Como simular um tornado?

Ciência ou Magia?

E, no final, uma refeição... inesperada!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

domingo, 17 de julho de 2011

Ocupação Científica nas Férias

    Algumas propostas de actividades de ocupação científica para as Férias: 

    - Para alunos do Ensino Secundário, a Ciência Viva oferece a possibilidade de participarem em Estágios em Faculdades e Institutos de Investigação, durante o período de férias. Ver aqui a lista completa de estágios e aqui a lista de estágios ainda com vaga (podem filtrar a vossa pesquisa por área geográfica, por área científica...)


    - Também a Ciência Viva promove actividades gratuitas, para toda a família e em todo o País, nas áreas de Biologia, Geologia, Engenharia e Astronomia, com o programa Ciência Viva no Verão. Mais uma vez, poderão fazer a pesquisa por Região ou por área, e conseguirão certamente encontrar actividades estimulantes e interessantes para todos os dias até ao recomeço das aulas (o programa oferece actividades até 15 de Setembro)!


    - Em Lisboa, a Faculdade de Ciências oferece também um programa para férias, ver aqui

     - A Universidade do Porto promove mais uma vez o programa Universidade Júnior, com uma oferta muito variada e ocupação semanal para alunos do 5º ao 11º Ano!


    Boas férias com Ciência!